Indicado à vaga de Galípolo: política monetária do BC conteve inflação
Nilton José Schneider David foi indicado para assumir a vaga de Gabriel Galípolo na diretoria de Política Monetária do Banco Central
atualizado
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Nilton José Schneider David, chefe de Operações de Tesouraria do Banco Bradesco, defendeu a política monetária brasileira como uma forma de conter a alta da inflação, em um cenário de instabilidade. Nilton foi indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para assumir a vaga de Gabriel Galípolo na diretoria de Política Monetária do Banco Central (BC).
“O que eu vejo dos dados da economia, que é o surpreendente nível de atividade, não é condizente com o nível de inflação que a gente está vendo. Dadas as premissas da atividade, deveria ter já inflação ainda maior do que a gente viu, o que prova que a política monetária cumpriu o papel de manter ou ter pelo menos um spike, um aumento ainda maior da inflação”, afirmou Nilton David.
O chefe de Operações de Tesouraria do Bradesco é sabatinado nesta terça-feira (10/12) na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal. Caso o nome dele seja aprovado no colegiado, ele ainda precisa passar pela apreciação no plenário da Casa Legislativa.
A sabatina ocorre no mesmo dia em que o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC inicia as tratativas a respeito do valor da taxa básica de juros, a Selic, para os próximos 45 dias.
A Selic, atualmente, está cotada em 11,25% ao ano, e o mercado financeiro espera uma alta do índice após a nova reunião do Copom. A alta da taxa básica de juros ocorre com o intuito de conter a inflação, o que gera uma redução do consumo e investimentos no Brasil.
Sabatina
O senadores também sabatinam Izabela Correa e Gilneu Francisco Astolfi Vivan para vagas de diretoria no Banco Central. Os nomes foram indicados para funções de fim de mandato, que devem ocorrer em 31 de dezembro de 2024.
Ao responder aos questionamentos dos senadores no tocante à política fiscal e ao pacote de revisão de gastos públicos apresentado pelo Palácio do Planalto, Izabela enfatizou ser precipitada tal análise e pontuou o papel do Copom para conter a inflação.
“O senador [Sergio] Moro pergunta sobre o compromisso do exercício, e o senador Izalci [Lucas] menciona sobre a convergência. Então, eu acho que o que vale a pena mencionar aqui é que o Copom tem sido bastante vocal e claro em relação ao seu compromisso firme de convergência à meta de inflação e, sendo aprovados, é este o mandato que vamos fazer”, enfatizou Izabela, indicada para assumir a Diretoria de Relacionamento, Cidadania e Supervisão de Conduta.
A meta de inflação para 2025 é de 3%, com variação de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, sendo 1,5% (piso) e 4,5% (teto). O valor, definido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), é o mesmo vigente para 2024.
Ao ser questionado sobre a autonomia do Banco Central, Gilneu pontuou a relevância da instituição para garantir serviços importantes para a sociedade.
“Ele tem implantado problemas de falta de recursos financeiros, materiais pessoais para cumprir a sua missão, e tendo em vista a importância desses órgão, é importante isso porque a gente cobra para garantir recursos ao longo do tempo a fim de que a organização cumpra a solução institucional. Hoje, nós temos vários serviços que o Banco Central responde para a sociedade, e não pode colocar isso por questões”, disse o indicado para diretoria de Regulação do BC.
No Senado Federal, há uma proposta de emenda à Constituição (PEC) que concede autonomia orçamentária e financeira ao BC e o transforma em uma empresa pública. A matéria chegou a entrar na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), mas teve a análise adiada.
