Índia que foi com Bolsonaro à ONU sobre ONGs: “Bando de filho da puta”

Ela disse representar o “lado bom” da cultura indígena e que o "lado ruim" inclui estupro coletivo, infanticídio e pedofilia

Luciana Lima/ MetrópolesLuciana Lima/ Metrópoles

atualizado 25/09/2019 17:19

Após desembarcar na Base Aérea de Brasília nesta quarta-feira (25/09/2019), a indígena Ysani Kalapalo foi até o Palácio da Alvorada, aceitando o convite da primeira-dama Michele Bolsonaro, para que ela conhecesse a residência oficial.

Ysani acompanhou o presidente Jair Bolsonaro (PSL) durante o discurso na abertura da 74ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), e endossa seu posicionamento em relação à política indigenista e à tentativa de culpar as organizações não governamentais (ONGs) e os partidos de esquerda pela destruição da Amazônia.

Em entrevista ao Metrópoles, a indígena endossou o discurso presidencial ao dizer que as ONGs são culpadas pelos incêndios na floresta equatorial. “O presidente, com certeza, tem razão ao dizer que são as ONGs que estão destruindo a Amazônia”, disse a indígena, que mora em São Paulo desde os 12 anos e interrompeu agora o curso técnico que fazia para voltar à sua aldeia, situada em Mato Grosso, entre as cidades de Querência e Canarana.

“O que acontece? Muitas ONGs influenciam os povos indígenas do Brasil. ONGs e partidos de esquerda. Devido a isso, muitas vezes lideranças que vêm para Brasília são bancadas pelas ONGs e por partidos de esquerda. Tudo que eles falam os índios acabam replicando aquilo que foi falado. No meu ponto de vista, eles só repetem aquilo que os líderes falam”, argumentou.

Em seguida, porém, ela disse que seu avô, que ainda vive em Mato Grosso, colocou fogo no mato e não teve ajuda de ONGs nem da polícia ou dos órgãos ambientais para apagar as chamas. “Vou te dar um exemplo aqui. O instituto socioambiental do Xingu. O que essa ONG vem fazendo? Recentemente, tiveram umas queimadas na minha aldeia, porque meu avô fez umas queimadas ali. A gente acionou equipes de todos os lugares, ONGs. Ninguém apareceu”, disse.

“Quando o índio realmente precisa da ajuda deles (das ONGs), eles simplesmente viram as costas. Na minha visão, é um bando de filho da puta. Desculpe o termo, mas é com esse termo que eu me dirijo a eles”, disse Ysani.

“Eles só estão ali para persuadir os indígenas, para influenciar, para os índios aderirem à ideologia deles. Eu não vou me vincular com eles, por isso eles me odeiam. Por isso tem ONG que vive me ameaçando. Os índios também são bancados por essas ONGs e eu não estou nem aí”, disse a indígena.

Ysani afirmou ainda que se considera uma militante dos direitos dos indígenas. “Dos que querem se desenvolver.” “Há muitos anos que eu venho fazendo esse trabalho. Há 11 anos estou no ativismo. Eu venho de um lado em que falo aquilo que vejo e aquilo que eu vivo. Falo isso de maneira real, de uma maneira que nunca sequer outro indígena teria coragem de falar. Eu falo simplesmente para que as coisas mudem dentro da cultura indígena e da política indigenista”, argumentou.

“Lado bom”
Ysani disse que representa o “lado bom” da cultura indígena e que o “lado ruim” inclui práticas como pedofilia, estupro coletivo e infanticídio. “A cultura indígena tem dois lados: uma parte ruim e uma parte boa. Eu sou indígena que quer, por exemplo, a parte boa indígena. A parte boa seria viver em comunidade, servir ao próximo, respeitar os mais velhos, respeitar a opinião das outras pessoas. Só que hoje, os indígenas com influência dessas ONGs, isso está cada vez mais sumindo. O lado ruim da cultura indígena é o infanticídio, a pedofilia, o estupro coletivo, entre outras coisas”, destacou.

Ela reclama ainda que é odiada pelos índios por causa do machismo. “Eu venho debatendo isso, venho falando diretamente para que se acabe essas coisas. Os índios sofrem com isso mas não têm coragem de falar. Sabe por que que eu incomodo mais ainda? Porque sou uma mulher. A mulher indígena fica calada. Ela recebe ordem de homem. Eu sou uma jovem mulher indígena e isso causa alvoroço como você está vendo agora”, reclamou a indígena.

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