Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Brasil

Incêndio no Largo Paiçandu, em SP, destruiu prédios históricos

O edifício Wilton Paes de Almeida e a Igreja Luterana de São Paulo eram prédios com grande relevância arquitetônica

02/05/2018 09:06, atualizado 02/05/2018 09:18
Google Street View/Reprodução
Incêndio no Largo Paiçandu, em SP, destruiu prédios históricos

Quase irreconhecível nas últimas décadas, o edifício Wilton Paes de Almeida, projeto do arquiteto francês Roger Zmekhol, foi inaugurado em 1968 e era considerado um dos mais importantes exemplares da arquitetura moderna em São Paulo. Tombado pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental de São Paulo (Conpresp) em 1992, o prédio não podia sofrer alterações em sua configuração externa.

Com 24 pavimentos, planta livre, estrutura de concreto armado e com privilégio do aço em sua construção, o edifício foi um dos primeiros da cidade a exibir uma fachada formada inteiramente por esquadrias preenchidas com vidro – uma condição propiciada pela ideia de concentrar as áreas de serviço, bem como a infraestrutura hidráulica e elétrica, no miolo do edifício.

Receba no seu email as notícias de Boletim Metrópoles

Frequência de envio: Diário

Ver todas as newsletters
Em seu meio século de vida, abrigou, entre 1980 e 2003, a Polícia Federal e o Instituto Nacional de Seguro Social (INSS). Pertencia à União, mas havia sido cedido à Prefeitura.

Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles

“Em um raio de 15 quilômetros ao redor do Largo do Paiçandu existem muitas outras construções tão icônicas quanto o Wilton Paes de Almeida, muitas delas tombadas, mas igualmente afetadas pelo abandono, pela falta de manutenção e por sucessivas ocupações”, afirma José Roberto Geraldine Junior, presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo de São Paulo (CAU-SP).

Para Geraldine Junior, é preciso investir em uma política urbana mais articulada e eficaz, para evitar novas tragédias: “sem se entender, o poder público, nas suas diversas esferas e gestões, permitiu que o cenário fosse se agravando, adiando a recuperação ou mesmo uma nova destinação ao edifício, até para amenizar a precária situação habitacional no centro”, diz o arquiteto.

Igreja sob escombros
As dimensões relativamente modestas da Igreja Luterana de São Paulo, na Avenida Rio Branco, contrastam com sua relevância histórica e arquitetônica para a cidade. Em especial agora, quando se estima ao menos 90% de destruição na construção em decorrência do desabamento ocorrido nesta terça-feira (1/5). A igreja foi um dos cinco prédios afetados pelo incêndio.

“Pelas imagens que vi, sobraram só a torre e parte do altar”, afirma o pastor luterano Frederico Carlos Ludwig, responsável pela paróquia. “Há tempos tínhamos notado que o prédio parecia se inclinar em direção à rua. Tentamos denunciar a situação aos órgãos competentes, mas sem sucesso”, diz o pastor.

Primeiro templo em estilo neogótico construído na capital, primeira paróquia luterana e marco da colonização alemã, a igreja era tombada e não podia ser modificada. Projetada pelo arquiteto alemão Guilherme Von Eÿe e inaugurada em dezembro de 1908, contava com um único pavimento – de 465 m² de área construída -, além de uma torre com acesso frontal por meio de uma porta de madeira . Seus interiores exibiam vitrais da célebre Casa Conrado. E havia outra preciosidade guardada a sete chaves: um órgão musical construído originalmente pela Casa Walcker alemã, com 620 tubos. “O prejuízo é incalculável”, lamenta o religioso.