Matéria do Metrópoles sobre Sabrina Bittencourt vira tema de artigo em universidade de Nova York

A prestigiada Universidade de Columbia, referência em estudos de jornalismo, analisou o trabalho de apuração do portal

Igo Estrela/MetrópolesIgo Estrela/Metrópoles

atualizado 23/04/2019 15:45

A matéria O Mistério Sabrina Bittencourt: família e amigos acreditam que ativista está viva, publicada pelo Metrópoles, virou tema de artigo em um periódico acadêmico da Universidade de Columbia, em Nova York. A prestigiada instituição americana, referência em estudos de jornalismo, elogiou o trabalho de apuração do portal.

O Columbia Journalism Review analisou a cobertura dos jornais brasileiros sobre a suposta morte de Sabrina. A autora do artigo, Isabela Dias, mostrou como os veículos de comunicação primeiro apostaram na história da ativista e depois passaram a desconfiar do suicídio da brasileira.

A mestranda usou uma reportagem do portal como base do seu trabalho: “Cleuci de Oliveira e David Ágape publicaram um perfil empolgante construído a partir do depoimento de 50 pessoas”. A equipe do Metrópoles investigou durante dois meses as suspeitas de que a ativista brasileira forjou a própria morte e entrevistou familiares, amigos e ex-sócios de Sabrina.

Apesar de todos os veículos terem publicado o anúncio do suicídio, feito pelo filho de Sabrina, poucos investigaram se ela estava realmente morta. “Nós não fomos os primeiros a suspeitar da versão da família. Mas era um assunto delicado, existia um desconforto velado, pois todos os veículos noticiaram uma informação errada”, disse Lilian Tahan, diretora-executiva do Metrópoles, à autora.

Em uma reportagem publicada em fevereiro, o portal The Intercept Brasil criticou os jornais que desconfiaram e procuraram se certificar sobre a morte de Sabrina. “Nada poderia ser mais irresponsável. Se a morte for real, a falta de respeito da imprensa pela dor dessa família é, para dizer o mínimo, insensível. Se não for, trabalhar para provar que essa mulher forjou sua morte para poder continuar viva é colocar sua cabeça de volta numa guilhotina com a lâmina pronta para despencar”, escreveu a jornalista Bruna de Lara na época. Embora a jornalista mantenha sua opinião inicial, no texto veiculado pela universidade, Bruna reconheceu que o trabalho do Metrópoles foi bem apurado e responsável.

Sobre o caso
Sabrina Bittencourt não tinha conexão com João de Deus e nunca alegou ser uma de suas vítimas. No entanto, afirmava, em sua rede de contatos, composta por muitos jornalistas, estar por trás da queda do médium. Dizia ter coletado a maior parte das acusações contra o líder espiritual.

Por anos, Sabrina se colocou como fonte de repórteres. Deu entrevistas no papel de especialista, participou de matérias como personagem, usou a imprensa para realizar denúncias e, mais recentemente, apareceu na capa da revista Carta Capital como uma das principais denunciantes de João de Deus.

A notícia de sua morte, anunciada pelo filho da ativista, repercutiu nos principais jornais do país em 3 de fevereiro deste ano. O período de luto veio cercado de uma série de questionamentos sobre a falta de informação em torno do caso.

 

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