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Brasil

Homem negro preso por engano no Rio será solto: "Vencemos esta etapa"

Defesa conseguiu comprovar que Alberto Meyrelles foi vítima dos mesmos criminosos que assaltaram a pessoa que o reconheceu por foto 3x4

06/12/2021 10:37, atualizado 06/12/2021 10:43
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Arquivo Pessoal
Alberto Meyrelles preso injustamente após reconhecimento por foto 3x4 no Rio de Janeiro (RJ)

Rio de Janeiro – A Justiça concedeu um habeas corpus determinando a soltura de Alberto Meyrelles de Santa Anna Júnior, de 39 anos, preso por engano no dia 17/11 no Rio de Janeiro. Trabalhador do Porto no RJ, ele foi acusado de um crime, ocorrido em 2019, do qual é uma das vítimas.

Alberto foi reconhecido pela foto 3×4 da carteira de habilitação, tirada há 20 anos, por outra vítima dos mesmos assaltantes. Ele deverá ser solto nesta segunda-feira (6/12), após passar 20 dias no Presídio José Frederico Marques, em Benfica, na zona norte. 

“Estou muito ansiosa. Nem consegui dormir. Quando ele foi preso, fui até hospitalizada. É revoltante pensar que ele ficou 20 dias preso e que a Justiça ainda diz que ele é um criminoso perigoso. Vou esperar ele sair na porta do presídio. Vencemos esta etapa”, comemora a esposa Karine Rosa Garcia, que está grávida de quatro meses. 

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Alberto foi preso após reconhecimento por foto
Família suspeita que ele tenha sido vítima do crime pelo qual é acusado
Lucia Helena de Oliveira, coordenadora de Defesa Criminal da Defensoria Pública do Rio
Alberto e a esposa, Karine
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Alberto e a esposa, Karine

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Alberto foi preso após reconhecimento por foto
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Alberto foi preso após reconhecimento por foto

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Família suspeita que ele tenha sido vítima do crime pelo qual é acusado
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Família suspeita que ele tenha sido vítima do crime pelo qual é acusado

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Lucia Helena de Oliveira, coordenadora de Defesa Criminal da Defensoria Pública do Rio
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Lucia Helena de Oliveira, coordenadora de Defesa Criminal da Defensoria Pública do Rio

Divulgação

De acordo com a defesa, Alberto Meyrelles registrou o assalto que sofreu, que teve os mesmos elementos do assalto sofrido pela pessoa que o reconheceu na delegacia. Esta vítima o reconheceu após sua carteira ser encontrada em um carro roubado.

A coordenadora de Defesa Criminal da Defensoria Pública do Rio, Lúcia Helena Oliveira, afirma que um dos pontos questionáveis é que a prisão do trabalhador foi decretada injustamente mais de um ano após o suposto crime.

“É muito assustador todo esse processo. A prisão foi decretada mais de um ano depois do suposto crime e fizemos três pedidos de revogação dela, em todos informando endereços, comprovação de trabalho. Então, não era um foragido”, conta a defensora.

Processo permanece

Apesar de ter a soltura determinada pela Justiça, o processo contra Alberto Meyrelles segue. Segundo a defesa, testemunhas serão ouvidas, além das vítimas, entre elas o próprio preso preso por engano.

“Mesmo solto, o processo continua. O que ele ganhou foi o direito de responder em liberdade. Vamos seguir o curso judicial. Serão ouvidas todas as testemunhas, as vítimas e vamos defendê-lo até o fim, para provar sua inocência”, acrescenta a defensora.

Desde que Alberto foi preso, há 20 dias, a família sempre lutou por Justiça. O trabalhador teve o carro assaltado e todos os seus documentos foram levados pelos bandidos. A prisão dele foi decretada em maio deste ano, mas a Justiça negou três vezes a revogação da detenção do trabalhador.

“Ele foi assaltado e os mesmos bandidos cometeram outros roubos, deixando a carteira de documentos do meu irmão num carro. A vítima reconheceu meu irmão pela foto da CNH dele. Mas ele também era uma vítima, registrou ocorrência e nunca foi chamado para prestar qualquer tipo de esclarecimento. A Justiça negou por três vezes a revogação da prisão dele pedido pela Defensoria Pública. Nossa justiça é um moedor de pretos“, desabafa o irmão do homem preso por engano, o vendedor Augusto Meyrelles, de 30 anos, em entrevista ao Metrópoles no dia seguinte à sua prisão.

Ao denunciar Alberto, o Ministério Público do estado chamou o preso por engano de “frio”, “perverso” e de “alta periculosidade”. Ajuizada pelo promotor de Justiça Bruno de Lima Stibich, a denúncia identifica o autor do roubo como um “homem negro, de meia idade, cabelo raspado” e “reconhecido” por uma foto na delegacia.

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