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Brasil

Homem em bar usando símbolo nazista no braço provoca revolta

Com uma suástica na braçadeira, cliente não é incomodado pela PM, que havia sido acionada por frequentadores enfurecidos com a cena

15/12/2019 21:56, atualizado 15/12/2019 22:34
Homem em bar usando símbolo nazista no braço provoca revolta
Homem em bar usando símbolo nazista no braço provoca revolta

Uma imagem registrada em um bar no centro de Unaí (MG), distante 165 km de Brasília, e publicada no Twitter no sábado (14/12/2019) se espalhou pelas redes sociais e tem gerado revolta: na cena, um homem de meia idade, de camisa social em tom de roxo, aparece sentado sozinho tranquilamente a uma mesa de plástico vermelha; no som, músicas do sertanejo Felipe Araújo; seria uma situação absolutamente prosaica, não fosse o fato de que o sujeito ostenta no braço esquerdo uma braçadeira com a suástica, símbolo apropriado pelos nazistas e que passou a caracterizar os horrores do totalitarismo de Hitler.

Um vídeo de cinco minutos flagra o episódio. Nas imagens, uma mulher sentada no outro lado do bar, o Booteco Bar e Restaurante, narra o momento em que policiais militares conversam com um funcionário do estabelecimento. De braços cruzados, fora da viatura, e a três passos da mesa onde o homem com a suástica está, os PMs aparentam decidir que aquilo não merece uma intervenção. Viram as costas, entram na viatura e saem.

No fim da tarde deste domingo (15/12/2019), o Booteco publicou no perfil do bar no Facebook uma “nota de Esclarecimento”, confirmando o ocorrido e afirmando que não dá “suporte a discriminação”. Afirma que tudo foi resolvido “da melhor forma possível, por agentes policiais (sem violência) e sob a égide da lei”. Veja:

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Reprodução/Facebook

O vídeo continua. O funcionário do bar, de camisa preta, vira-se e vai à mesa do homem. Trocam algumas palavras, o sujeito da camisa roxa se levanta, mas volta a sentar-se. E segue tranquilo, de novo às voltas com o celular. A mulher que filmava, inconformada com a cena, anuncia que vai parar “a filmagem” por estar cansada – visivelmente insatisfeita com a falta de ação em relação ao homem.

Nas imagens, não é possível identificar o que o estabelecimento classifica como resolução do episódio, da melhor forma possível.

Nas redes sociais, muita gente mostrou repulsa pela cena. O deputado federal David Miranda (PSol-RJ) foi um dos que exibiu sua indignação no Twitter.

A Lei do Racismo, de 1989, foi alterada em 1997 e passou a prever expressamente o tema do nazismo no artigo 20, ao estipular que “praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, religião ou procedência nacional” terá pena de reclusão de um a três anos e multa. E segue no § 1º: “Fabricar, comercializar, distribuir ou veicular símbolos, emblemas, ornamentos, distintivos ou propaganda que utilizem a cruz suástica ou gamada, para fins de divulgação do nazismo” acarretará pena de reclusão de dois a cinco anos e multa.