Helicóptero que caiu no Rio foi denunciado por táxi aéreo ilegal
Anac arquivou denúncia três meses depois do recebimento por falta de manifestação da proprietária da aeronave, que recebeu multa de R$ 8 mil

Um dos helicópteros que caiu na manhã deste domingo (14/6), no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Sudoeste do Rio de Janeiro, era alvo de denúncias na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) por operar como táxi aéreo clandestino.
A aeronave, de prefixo PP-MAC, levava cinco pessoas e colidiu no ar com outro helicóptero (PR-DJJ), caindo em um pátio de veículos da concessionária BYD e provocando explosões.
Entre as vítimas da aeronave clandestina, está o cantor e produtor norte-americano Oliver Tree. Segundo os registros da agência reguladora, a aeronave não tinha autorização para realizar o transporte comercial de passageiros.
O PP-MAC está vinculado à empresa Turfik Comércio de Frutas LTDA, de propriedade de Oswaldo de Luca Filho, e transportava cinco dos seis mortos no acidente:
- o piloto Alexandre Souza;
- o youtuber argentino Gaspar Prim, conhecido como Gaspi;
- o produtor musical brasileiro Lucas Brito Chaves, o Lucas Frota;
- o diretor de videoclipes argentino Lucas Vignale;
- e o cantor Nickel Oliver Tree.
A sexta vítima do acidente é o piloto Charles Marsillac, que comandava a outra aeronave envolvida na colisão.
Irregularidades
Supostas irregularidades com o PP-MAC começaram a ser apuradas pela Anac em março de 2025, segundo documentos obtidos pelo Metrópoles. Uma denúncia apontava que as empresas STARVIP/Helivip comercializava e operava táxi aéreo irregular com o helicóptero no Aeroporto de Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio. Procuradas, as empresas Starvip e Helivip não se manifestaram até a publicação desta reportagem.
O relato recebido pela agência afirmava que a aeronave “encontra-se com manutenção vencida e diário de bordo com lançamento inconsistente de horas totais voadas”. Fiscais intimaram a Turfik a prestar esclarecimentos, mas a proprietária ignorou as notificações.

Em um relatório paralelo à denúncia, a Anac destacou que a “ausência de manifestação do operador da aeronave, em resposta aos ofícios citados, impossibilitou a análise da ocorrência, prejudicando assim a efetiva apuração”.
Sem conseguir avançar por falta de dados, o coordenador de Planejamento da Anac, Marcelo Caser de Carli, assinou um despacho em maio do ano passado informando que não foi possível comprovar o teor da denúncia.
Apesar disso, Carli pediu a inclusão do helicóptero em uma lista prioritária de alvos para fiscalizações presenciais, especialmente no Aeroporto de Jacarepaguá, para apurar a natureza dos voos.
“Considerando que a ausência de manifestação dos regulados torna prejudicada a continuidade da presente apuração e que foram tomadas as medidas administrativas cabíveis, e portanto, não restando demais providências por parte desta Gerência Técnica, com fulcro no art. 52 da Lei 9.784/99 determino a conclusão do referido processo administrativo nesta unidade”, justificou o coordenador, à época.
O parecer contribuiu para a decisão de Ben Hur Richter Escobar, especialista da Coordenadoria de Ação Fiscal – Aeronavegabilidade (COAFI), que arquivou a denúncia contra a aeronave da Turfik em junho de 2025.
Empresa foi multada por não apresentar documentos
Apesar do arquivamento da apuração principal, o silêncio da proprietária gerou um processo de infração paralelo. A Turfik também não apresentou defesa e acabou multada em setembro de 2025 pelo coordenador de Julgamento e Gestão de Processos Administrativos Sancionadores, Maicon Medeiros Ardirson.
A punição foi fixada em R$ 8 mil, o valor mínimo previsto para a infração de não apresentar os documentos exigidos pela fiscalização.
O Metrópoles procurou o dono da Turfik e a Anac, mas não houve manifestação até a última atualização desta reportagem. O espaço segue aberto.
A Força Aérea Brasileira (FAB) informou que investigadores do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) foram acionados para realizar a apuração inicial do acidente.
Segundo a FAB, esta etapa inclui a coleta de dados, a preservação de vestígios e a análise preliminar dos danos causados às aeronaves. O objetivo é reunir informações que ajudem a esclarecer as circunstâncias da colisão.

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