Habib's pode fechar após pedido de recuperação judicial? Entenda
Empresa pede recuperação para reestruturar dívidas de R$ 265 milhões, mas segue operando normalmente; fechamento só acontece se plano falhar

O Grupo Gennius, controlador das redes Habib’s, Ragazzo e Tendall Grill, entrou com pedido de recuperação judicial para reorganizar dívidas estimadas em cerca de R$ 265 milhões.
A empresa, no entanto, não precisa fechar as portas com a decisão. De acordo com a legislação brasileira, a recuperação judicial é um instrumento justamente para tentar evitar a falência e dar fôlego ao negócio.
Nesse período, a companhia segue operando normalmente, mantendo lojas abertas, funcionários ativos e atendimento ao público. As cobranças de dívidas também ficam suspensas temporariamente, enquanto a empresa elabora um plano de reestruturação financeira que será apresentado aos credores e analisado em assembleia.
Se o plano for aprovado e cumprido, a empresa consegue reorganizar suas finanças e segue funcionando fora da recuperação judicial.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesNo entanto, caso a empresa descumpra com as regras, a Justiça pode decretar falência da companhia, o que leva à venda de ativos para pagamento de credores e, eventualmente, ao encerramento das atividades.
Em nota, o Habib’s afirmou que segue operando normalmente e reforçou a continuidade das atividades.
“As operações do grupo seguem funcionando normalmente, mantendo o atendimento aos clientes, a rotina e a qualidade de suas unidades. Presente na vida dos brasileiros há quase 40 anos, a companhia segue comprometida com a força de suas marcas, a evolução de seu negócio e a continuidade de uma história construída ao lado de milhões de brasileiros”, afirmou a empresa.
A recuperação judicial não significa fechamento imediato, mas sim uma tentativa de reorganização. O risco de encerramento só existe se o processo não der certo ou se o plano não for cumprido.
Entenda
O grupo que controla o Habib’s entrou com pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo com uma dívida declarada de cerca de R$ 265,2 milhões. A empresa deu entrada no pedido na segunda-feira (24/8).
Entre os fatores que levaram à crise, o grupo cita os efeitos da pandemia de Covid-19 sobre as lojas físicas, a mudança no comportamento do consumidor com o crescimento das plataformas de delivery e a alta da taxa básica de juros, que encareceu o custo das dívidas.
Antes de recorrer à recuperação judicial, a companhia já havia buscado proteção na Justiça para suspender cobranças e tentar negociar o passivo, que supera os R$ 300 milhões em algumas estimativas.
Agora, com o processo formalizado, o grupo terá até 60 dias para apresentar um plano de recuperação. Caso não consiga aprovação dos credores, há risco de conversão em falência.



