Governo não tem pressa para viabilizar novo empréstimo aos Correios
Operação deve ser autorizada ainda em 2026, mas liberação deve sair apenas em 2027; Tesouro vai ajustar pontos listados pelo TCU

De acordo com fontes da equipe econômica, o governo federal não tem pressa para viabilizar um novo empréstimo aos Correios, já que a operação é esperada apenas para 2027, embora a autorização possa ser concedida ainda neste ano.
A prioridade é atender às exigências feitas pelo Tribunal de Contas da União (TCU) e organizar a modelagem da operação com o Tesouro Nacional, antes de avançar com a liberação dos recursos.
A movimentação ocorre em meio ao acompanhamento do TCU sobre a situação financeira da estatal. O órgão de controle tem cobrado maior detalhamento das medidas de reequilíbrio e condições mais claras para eventual apoio financeiro por parte da União.
De acordo com interlocutores, o Tesouro será responsável por estruturar os ajustes solicitados, com o objetivo de dar segurança jurídica e fiscal à operação. A avaliação dentro da Fazenda é de que o empréstimo precisa estar alinhado a um plano consistente de recuperação da empresa.
Entenda a situação dos Correios
No final de 2025, a União aprovou um empréstimo de R$ 12 bilhões com garantias do Tesouro para o Correios após a estatal enfrentar um quadro de fragilidade financeira.
Nos últimos anos, a empresa registrou dificuldades para equilibrar receitas e despesas, pressionada principalmente por custos operacionais elevados e pela necessidade de modernizar suas operações diante da concorrência no setor de logística. No ano passado, o rombo nas contas dos Correios foi de R$ 8,5 bilhões.
Mais dinheiro
Agora, a estatal ainda precisa de R$ 8 bilhões para completar o Plano de Reestruturação apresentado. O presidente dos Correios, Emmanoel Rondon, afirmou que a estatal está conversando com os bancos e que a receptividade do mercado financeiro está melhor do que a observada em 2025.
“Já estamos conversando com os bancos. Hoje sentimos uma receptividade maior do que no ano passado. Hoje temos conversas mais fáceis do que tivemos no final do ano passado e isso é um bom sinal”, disse em coletiva de imprensa para apresentar o balanço da estatal, em maio.
Nesse contexto, os Correios avançam em um pacote de medidas para reduzir custos e melhorar a sustentabilidade financeira. A estatal prepara um novo Programa de Demissão Voluntária (PDV), voltado à diminuição das despesas com pessoal e à adequação do quadro de funcionários.
O PDV integra o plano de reestruturação da empresa, que também prevê revisão de gastos, modernização de processos e aumento de eficiência operacional. A estratégia busca reverter o quadro de fragilidade financeira e preparar a companhia para uma nova fase de equilíbrio.
Além do ajuste interno, o plano considera a necessidade de reforço de caixa ao longo dos próximos anos, o que inclui operações de crédito como a que está em discussão.

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