GO: coletores de palha para cigarro são resgatados de trabalho escravo

Fiscalização encontrou 54 trabalhadores de fornecedor de empresa de “paiero” de SP em condições subumanas, alojados em um antigo motel

atualizado 11/08/2021 9:20

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Goiânia – Uma operação de combate ao trabalho escravo localizou 54 trabalhadores alojados em condições precárias, na fornecedora de uma fábrica de cigarros de palha, nas margens da rodovia BR-364, em Jataí, na região sudoeste de Goiás.

Os trabalhadores foram resgatados na semana passada, mas os detalhes só foram divulgados nesta terça-feira (10/8).

Os coletores de palha de milho para fabricação de “paiero”, como é popularmente conhecido o cigarro de palha, eram trazidos de Novo Oriente (PI) e Guará (SP) e ficavam em um antigo motel, transformado em dormitório. O local tinha excesso de umidade, falta de iluminação, limpeza e ventilação, segundo o auditor fiscal Roberto Mendes.

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A operação teve participação da Superintendência Regional do Trabalho em Goiás (SRTEGO), Ministério Público do Trabalho (MPT), Polícia Federal (PF) e Defensoria Pública da União (DPU). A fábrica de cigarros tem sede em São Paulo e não teve o nome divulgado.

“Havia alguns quartos com dez, doze trabalhadores, com apenas um colchão velho jogado no chão. É uma época que é fria e Jataí faz muito frio. Então, esses trabalhadores estavam passando frio, alojados nessas condições totalmente precárias”, explica Roberto Mendes.

Os trabalhadores também cozinhavam de forma improvisada, dentro desses alojamentos. Eles eram contratados pelos chamados “gatos”, que são aliciadores de mão de obra. O transporte ocorria em ônibus clandestinos.

Consequências

As condições subumanas de alojamento caracterizaram a situação de “trabalho em condições análogas às de escravo, segundo a SRTEGO. Três trabalhadores resgatados tinham menos de 18 anos.

Todos os 54 trabalhadores resgatados vão receber seguro-desemprego de um salário mínimo durante três meses.

O responsável pela fornecedora foi autuado pela Auditoria Fiscal do Trabalho e realizou o pagamento de R$ 297,3 mil em verbas rescisórias.

Após investigação da Polícia Federal, ele poderá responder criminalmente. O empregador também poderá pagar “dano moral coletivo” e “dano moral individual”, após audiência na Procuradoria Regional do Trabalho.

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