Gasolina, etanol e GNV: os mitos na hora de escolher

Qual desses combustíveis rende mais? O aditivado? E o que melhor protege o motor? E qual é o mais econômico? 

atualizado

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Por Tarcísio Dias,
especial para o Entre-eixos

Alguém sempre tem dúvida: combustíveis aditivados aumentam a potência ou estragam o motor? Eles rendem mais? E quanto às diferenças entre gasolina, etanol ou Gás Natural Veicular, o GNT?

Alguns acreditam que o combustível aditivado melhora o rendimento do veículo. Ou que a gasolina aditivada faz a mesma quilometragem por litro da versão convencional, pois a função dela não é ser mais econômica – como muitos pensam. 

Em sua composição, ela traz elementos que auxiliam na limpeza do motor e é justamente daí que vêm as dúvidas. Em alguns casos, o carro pode ter até uma melhora no rendimento e gastar menos, mas o motivo não tem relação com o combustível aditivado ser melhor ou pior. 

 

Quando o motor do automóvel está muito sujo, podem acontecer problemas durante a queima, aumentando o consumo e reduzindo o desempenho. A limpeza do propulsor resolveria o problema da mesma forma ou até com mais eficiência.

O mesmo acontece em relação ao etanol. O uso do etanol aditivado depende muito dos benefícios que ele traz ao motor do carro. Se a diferença de preço for pequena, podemos dizer que vale a pena, pois esses combustíveis mantêm o motor limpo, evitando a perda de potência e o excesso de consumo.

A fama do GNV é que ele é o combustível mais barato na comparação com os demais, mas isso acontece realmente em seu veículo? Tudo vai depender do quanto você roda com seu veículo.

O preço do metro cúbico (m³) do gás é mais barato do que o litro dos demais combustíveis. Mas o motorista deve considerar outros gastos quando resolve instalar o GNV. Colocar um kit tem um custo médio de R$ 3 mil (para os kits de 2ª e 3ª geração, em veículos fabricados até 2007) e cerca de R$ 5 mil para os kits de 5ª geração, com injeção eletrônica de gás natural.

O GNV rende até 50% a mais do que a gasolina, se considerarmos o sistema mais moderno, de quinta geração.

Um motorista brasileiro (considerando o valor médio dos combustíveis pela ANP) que anda 3 mil quilômetros por mês em um carro que faz 8 km/l com gasolina tem um custo de R$ 0,58/km com gasolina e R$ 0,29/km com GNV. 

Entretanto, essa é uma média de quilometragem alcançada, em geral, por veículos utilizados profissionalmente, como táxis ou carros de aplicativos. Em um ano, a economia representa R$ 10.561, mais do que o valor da instalação de um Kit GNV. O GNV compensa de verdade para quem utiliza bastante seu veículo.

O fato de um motor muito sujo perder desempenho é fonte de outro mito sobre os aditivos: o de que eles aumentam a potência do carro. Isso só acontece quando você usa um combustível de alta octanagem e, ainda assim, dependendo muito do tipo de automóvel — em veículos convencionais o ganho não será significativo.

Assim como na gasolina aditivada, se você colocar o aditivo no tanque do carro, ocorrerá uma limpeza gradativa do motor e, como resultado, uma falsa impressão de que foi isso que aumentou o desempenho. A manutenção preventiva poderia facilmente evitar esse tipo de confusão.

O etanol muitas vezes é acusado de causar falhas na partida a frio. Embora a afirmação seja verdadeira, ela se restringe a um número bem pequeno de veículos, fabricados há mais tempo. Já ouviu falar do famoso tanquinho de gasolina que sempre tinha que estar cheio para auxiliar a partida? E ainda presente em modelos com o Novo Renault Duster 2021?

Nos veículos mais novos, esse sistema foi substituído por tecnologias modernas, que dispensam o uso da gasolina para ligar o carro. Se houver dificuldades em dias mais frios, é provável que existam falhas no automóvel — ou o combustível com que você abasteceu está ‘batizado’.

O automóvel abastecido com etanol, ao contrário do que muitos diziam, tem uma melhora de desempenho e não uma queda. Devido a características técnicas do veículo — como a compressão do motor —, esse aumento pode chegar a até 30%.

Contudo, vale deixar claro que, gasolina e etanol têm rendimentos diferentes: o carro abastecido com etanol, embora ganhe alguns cavalos de potência, consome mais combustível. Esse talvez seja um dos maiores motivos desse mito e a causa de tanta discussão, uma vez que potência, eficiência e outros termos podem ser confundidos.

A mistura etanol e gasolina em um carro flex não tem nenhum problema. Os veículos flex são preparados para essa mistura e não vão ser danificados ao usar os dois combustíveis ao mesmo tempo.

Sensores monitoram os gases do escape, enviam esses dados à central eletrônica e ela regula a mistura para garantir a máxima eficiência a todo o momento. Se o seu veículo tem 80cv com gasolina e 104cv com etanol, por exemplo, a potência ficará entre esses valores.

Não existe nenhum problema em usar somente um único combustível por muito tempo, pois os veículos flex foram idealizados justamente para trazer versatilidade e conforto aos motoristas.

Isso significa que você pode abastecer com o combustível que for mais vantajoso e na hora que quiser, sem se preocupar se isso vai trazer problemas ao automóvel. Também não existe uma proporção ideal entre gasolina e etanol, como algumas pessoas costumam dizer.

E, voltando a falar sobre o GNV, vale lembrar: se a instalação do kit for realizada de acordo com as normas, não há risco de explosão – ou combustão, se considerarmos o termo técnico correto. É preciso, no entanto, manter a manutenção em dia tanto no veículo quanto nos postos de combustíveis que oferecem o GNV.

Para sua segurança, observe se o cilindro a ser instalado é de aço e não tem soldas. Realize o “reteste” do cilindro a cada cinco anos. Ao notar qualquer defeito ou vazamento, leve o veículo à instaladora homologada.

Na dúvida, consulte sempre o manual do proprietário do seu carro ou aquele mecânico de confiança, que é especialista no assunto. Não deixe que as fake news automotivas tirem o seu sono!


Tarcisio Dias possui formação em Engenharia Mecânica, com habilitação em Mecatrônica, pela Universidade de Pernambuco, e é técnico em mecânica pela Escola Técnica Federal de Pernambuco (Cefet/PE).

 

 

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