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Brasil

Gás do CV: grupo cobrava R$ 150 por botijão e ameaçava moradores de morte.

Conforme apurou o Metrópoles, o preço dos botijões chegava a R$150 e moradores e comerciantes eram obrigados a adquirir o gás do CV

28/10/2026 11:50
PCERJ
Imagem colorida, Gás do CV: grupo cobrava R$ 150 por botijão e ameaçava moradores de morte- Metrópoles

A Polícia Civil do Rio de Janeiro (PCERJ) e o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) realizam, nesta quarta-feira (28/10), a Operação Dominus em combate ao monopólio do gás de cozinha exercido por um grupo criminoso ligado ao Comando Vermelho (CV).

Conforme apurou o Metrópoles, o preço dos botijões chegava a R$150 e moradores e comerciantes eram obrigados a adquirir o gás da empresa vinculada à quadrilha. Em um dos casos apurados, um comerciante se recusou a comprar o botijão e recebeu ameaça de morte da facção.

Veja vídeo:

Policiais cumpriram ao menos nove mandados de prisão e 44 mandados de busca e apreensão em São Gonçalo, Itaboraí, Duque de Caxias, Niterói e no Rio de Janeiro. Ao todo, a ação bloqueou mais de R$ 350 milhões.

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Segundo a investigação, o grupo controlava a venda e exercia a exploração criminosa do gás de cozinha em comunidades dominadas pelo CV.

“Nesse sistema, a liberdade de comércio era substituída pelas regras impostas pela organização criminosa. Comerciantes eram obrigados a adquirir produtos de fornecedores vinculados ao grupo ou realizar pagamentos periódicos aos criminosos, sob ameaça de retaliações”, comunicou a PCERJ.

A apuração da PCERJ em conjunto com o MPRJ revelou que as cobranças eram conhecidas internamente como “metas do gás”, tabela para organizar a arrecadação dos recursos e verificar quais moradores e comerciantes haviam pago.

Em caso de recusa, os criminosos coagiam o morador e comerciante com ameaças de morte e sequestro. Uma denúncia neste sentido, feita por um morador da comunidade Vai Quem Quer, em Duque de Caxias, fez a polícia aprofundar investigações no caso e prender os criminosos.

Conforme o MPRJ este controle de venda com preços abusivos do gás foi exercido de 2024 a 2025 em diferentes favelas do estado do Rio de Janeiro.

“Mensagens analisadas durante as investigações revelaram a divisão de tarefas entre os integrantes do grupo, que atuavam na articulação comercial com distribuidoras de gás, na intermediação de contatos com traficantes, na cobrança de comerciantes e na arrecadação e no repasse de recursos às lideranças do Comando Vermelho”, informou o MPRJ.

Doca articulou monopólio do gás

Elementos reunidos durante a investigação da PCERJ, apontam que Edgard Alves de Andrade, o “Doca”— chefão do CV mais procurado do Rio — estava por trás do esquema criminoso, pois mantinha conversas com o principal responsável pelo monopólio do gás.

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Segundo as investigações, Doca orientava o investigado no esquema de exploração de gás, aprofundando na estrutura logística do esquema criminoso para que o lucro do crime financiasse o tráfico.

A apuração ainda revelou que o investigado teria ajudado Doca a fugir no dia da megaoperação no Complexo do Alemão. O criminoso foi encaminhado ao sistema prisional e estará à disposição da Justiça; Doca continua foragido.