Fuzis: Bolsonaro repete gravata que usou quando disse “acabou, porra”
Presidente da República participou de eventos no Palácio do Planalto usando gravata com desenhos de armamento pesado
atualizado
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Num momento em que a crise institucional entre os poderes Executivo e Judiciário volta a esquentar, o presidente Jair Bolsonaro (PL) ostentou, nesta quarta-feira (23/2), a mesma gravata armamentista que usou num evento marcante de seus ataques a juízes das cortes superiores: o dia em que, indignado com uma operação policial contra militantes governistas, bradou o “acabou, porra“.
Trata-se de uma gravata azul decorada com desenhos de fuzis.
Veja:
A explosão verbal do presidente aconteceu em 28 de maio de 2020, um dia após aliados como Sara Winter e Allan dos Santos terem sido alvo de uma operação da PF autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) que apreendeu computadores e celulares, no âmbito do inquérito das Fake News.
“As coisas têm limite. Ontem foi o último dia e peço a Deus que ilumine as poucas pessoas que ousam se julgar mais poderosas que outros que se coloquem no seu devido lugar, que respeitamos. E dizer mais: não podemos falar em democracia sem Judiciário independente, Legislativo independente para que possam tomar decisões. Não monocraticamente, mas de modo que seja ouvido o colegiado. Acabou, porra!”, discursou Bolsonaro, na época, a jornalistas que acompanhavam suas falas no cercadinho do Palácio da Alvorada.
Nesta quarta, Bolsonaro usou a gravata em duas cerimônias públicas no Palácio do Planalto: uma para o lançamento do Plano Nacional do Desporto, pela manhã, e outra no lançamento da Carteira de Identidade nacional, à tarde.
Desta vez, porém, Bolsonaro não fez nenhuma alusão aos ministros do Supremo ou mesmo à gravata armamentista. No segundo evento, porém, fortes críticas ao Judiciário foram feitas por um subordinado do presidente, o ministro e general Luiz Eduardo Ramos, da Secretaria-geral da Presidência.
Reagindo a recentes críticas de ministros do STF e do TSE, como Luís Roberto Barroso e Edson Fachin, Ramos disparou: “Quando autoridades investidas num poder desses começam a falar, a se expressar, com esse tipo de pronunciamento, me dá o direito de levantar dúvidas com relação à isenção e imparcialidade nos futuros processos”.
Artimanha
“Na viagem [da comitiva presidencial à Rússia], fomos surpreendidos por notícias vindas do Brasil, que uma alta autoridade de uma instituição de Estado afirmou, de maneira leviana e, porque não dizer de certa forma irresponsável, talvez sem ter a consciência do que ele estava dizendo, que nós estávamos na Rússia, liderados pelo presidente, para levantar processos, alguma artimanha, para os russos nos ensinarem e no retorno nós usarmos no Brasil. Isso, o termo correto, presidente, para quem me conhece, é inaceitável”, discursou o ministro Ramos no evento da Carteira de Identidade nacional, dirigindo-se a Bolsonaro.










