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“Fui vítima de agressão”: padre Robson fala pela 1ª vez após processo

Em pronunciamento oficial, padre afirma que “verdade vencerá” e diz que passou por constrangimento e humilhação

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1 de 1 goias padre robson pronunciamento oficial - Foto: Reprodução

Goiânia – Por meio das redes sociais, o padre Robson de Oliveira se manifestou nesta quinta-feira (21/4), pela primeira vez, após o arquivamento do processo movido contra ele por supostos desvios milionários de dinheiro de fieis na Associação Filhos do Pai Eterno (Afipe), antes presidida pelo religioso.

Na última segunda-feira (18/4), o Superior Tribunal de Justiça (STJ) encerrou, após emissão de certidão de trânsito em julgado, o processo do Ministério Público de Goiás (MPGO) contra o ex-reitor de Basílica de Trindade. Conforme a defesa do padre, o órgão estadual não se manifestou a tempo no processo e o prazo caducou.

Veja o vídeo:

“Verdade vencerá a mentira”

No pronunciamento oficial, o padre afirma que “há um ano e oito meses foi vítima de uma agressão absurda”. Segundo ele, “teve a casa invadida da pior maneira que alguém possa imaginar” e a privacidade desrespeitada sem nenhum escrúpulos.

“Fiquei sabendo da investigação naquele momento [cumprimento do mandado de busca e apreensão]. Na verdade, até hoje, eu nunca fui ouvido, perguntado, nada. Eu não sabia de nada do que estava acontecendo, mas toda a imprensa já estava sabendo e, inclusive, já havia sido convocada há dias, para aquele momento, para aquela manhã”, diz ele.

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“O constrangimento e a humilhação foram tão grandes, que praticamente fizeram ao vivo, de dentro do meu quarto, algo insano, ilegal, desnecessário, humilhante e, certamente, organizado de uma forma antecipada e meticulosa. Rapidamente percebi do que se tratava e vi que a verdade não importava para aquelas pessoas”, reforça o padre.

Ainda de acordo com o ex-reitor da Basílica de Trindade, a intenção de investigação foi sujar sua história de vida, de dedicação ao Evangelho.

Edição

No vídeo, o padre afirma que teve áudios e imagens manipulados, para que se encaixassem em um contexto conveniente. Ele declara que é inocente e nunca teve nada no nome dele ou de qualquer outra pessoa. Segundo o padre, tudo é da Afipe. O dinheiro administrado pelo religioso teria sido usado como investimento para a “obra de evangelização”.

“Vivemos na era da manipulação das informações, das imagens e até mesmo da voz das pessoas. Nem tudo que se vê e ouve condiz com a realidade. Imagina o que podem fazer com a voz de uma pessoa que tem mais de 45 mil horas de falas disponíveis na internet? Como é o meu caso. Foram feitas diversas simulações, criando o contexto conveniente, para que pudessem me difamar, me expor e até mesmo me intimidar”, declara.

Segundo o padre Robson, sem denominar pessoas ou órgãos, “não conseguiram mudar o rumo da Justiça, que continuou isenta em seus procedimentos. Eu era e sou inocente e não deveria ter passado por nada disso. O constrangimento a que fui submetido não deveria ter acontecido, pois eu nada fiz de errado”.

“Meu irmão e minha irmã, nunca tive nada em meu nome e nem no nome de alguém, viu? Isso por opção de vida, opção de consagração. A casa onde eu moro hoje, o veículo que eu uso, o dinheiro que recebo para o básico, até o advogado que me defendeu, tudo foi proporcionado pelo meu grupo religioso. Da mesma forma, tudo que eu administrei era e continua sendo da Afipe e está a serviço do Evangelho.”

“Saber investir de maneira inteligente e criativa, bem assessorada, para o benefício e desenvolvimento de uma obra como esta, é saber usar bem, usar bem mesmo, os talentos confiados por Deus”, ressaltou.

“Sem crime”

O padre foi inocentado das acusações de desvios de recursos. Há cerca de um mês, a 6ª Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) já havia rejeitado embargos de declaração do MPGO, que tinham como objetivo modificar o curso do processo contra o religioso.

Ao Metrópoles, a defesa do padre informou que “o Superior Tribunal de Justiça havia confirmado a decisão do TJGO, segundo a qual o padre Robson não teria praticado crime algum na direção da Afipe. Na data de hoje foi certificado que o Ministério Público deixou transcorrer o prazo sem recurso, e com isso foi certificado o trânsito em julgado, ou seja, não cabe mais recurso”, disse o advogado Cleber Lopes.

Assim, fica mantida a decisão do Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) de trancar a ação por “ausência do crime”, prolatada pela 1ª Turma da Câmara Criminal da Corte no dia 6 outubro de 2020. Segundo os desembargadores, não há crime na conduta da entidade, e as provas apresentadas não eram novas.

Em nota, o MPGO declarou que “ingressou com mandado de segurança no STJ, a ser analisado pela Corte Especial, na qual questiona a decisão da 6ª Turma em não admitir o recurso do MP. Portanto, ainda que tenha havido trânsito em julgado no processo originário, ainda há esta ação para ser julgada”.

Na semana passada, o novo arcebispo metropolitano de Goiânia, Dom João Justino, desvinculou o andamento do caso na Justiça com a investigação interna que está sendo feita pela Igreja Católica. O bispo disse que esperava uma conclusão rápida do processo canônico que está em curso, até para que isso não criasse muita expectativa em relação à volta ou não do padre às atividades eclesiásticas.

Arquivamento

Robson de Oliveira Pereira, de 47 anos, encerrou o ano de 2021 com a notícia de arquivamento das investigações feitas pelo Ministério Público do Estado de Goiás (MPGO). A decisão, primeiro, partiu do Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) e, em seguida, acabou mantida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).

A decisão foi dada pela Sexta Turma do STJ no dia 14 de dezembro de 2021. Foi justamente este caso que teve desdobramento nessa segunda (18/4).

À época, entendeu-se que os promotores que investigam o caso não juntaram provas suficientes dos crimes atribuídos ao padre. Em uma manifestação crítica ao trancamento da investigação enviada ao STJ, a subprocuradora-geral da República, Solange Mendes Souza, alegou que havia na denúncia feita pelo MPGO provas e elementos capazes de justificar a ação penal.

A defesa do padre repetiu sempre o argumento de que a Associação Filhos do Pai Eterno (Afipe), criada e fundada por ele, é uma entidade privada e que, em nenhum momento, os integrantes questionaram qualquer ato praticado pela gestão dele. Diante disso, na visão dos advogados, não existem crimes a serem investigados.

Afipe

A Associação foi idealizada para gerir as doações em dinheiro enviadas por fiéis e, com o valor arrecadado – em torno de R$ 20 milhões por mês, segundo o MPGO -, erguer o novo Santuário Basílica de Trindade, conhecida como a capital da fé em Goiás.

Trata-se de uma mega construção iniciada em 2012, que tinha previsão inicial de término em 2022 e era orçada em R$ 100 milhões. Até o início deste ano, apenas 17% do projeto tinham sido concluídos e o valor total da obra acabou revisado para R$ 1,4 bilhão.

O padre foi afastado da presidência da Afipe, assim que a Operação Vendilhões foi deflagrada e surgiram as suspeitas de que ele teria usado o dinheiro para comprar fazendas e até casa na praia. Os demais padres redentoristas de Goiás se organizaram para manter as atividades tanto da Basílica de Trindade, que recebe milhares de fiéis de várias partes do país, quanto da associação.

Logo após o escândalo, ainda em 2020, as doações de fiéis registraram queda de 80%. Em abril de 2021, a Afipe já tinha conseguido reduzir um pouco o impacto para 50%. A nova direção da Associação tentou dar maior transparência ao uso do dinheiro doado, acelerou o andamento da obra e instaurou sindicância para apurar as suspeitas de desvio.

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