Fogaréu: conheça a procissão que simboliza busca e prisão de Jesus

Procissão do Fogaréu ocorre à 0h da Quinta-feira Santa na Cidade de Goiás, a 140 km da capital goiana. Evento reúne milhares de turistas

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Secom Goiás
fogareu cidade de goias procissao semana santa (6)
1 de 1 fogareu cidade de goias procissao semana santa (6) - Foto: Secom Goiás

Goiânia – Homens encapuzados, com roupas coloridas e tochas andam em procissão pelas ruas ao som de tambores. Esse evento se tornou patrimônio cultural imaterial goiano, principalmente pela história. Há 279 anos, a Cidade de Goiás (GO) é palco de uma das maiores festividades religiosas do país: o Fogaréu.

O evento, que reúne milhares de turistas todos os anos, é realizado pela própria comunidade com o apoio da Diocese de Goiás – Catedral de Sant’Ana e do Governo de Goiás. A procissão acontece à 0h da Quinta-feira Santa.

Pela tradição, pouco antes da meia-noite, as luzes da cidade são apagadas para dar início à caminhada, que tem como objetivo reproduzir a perseguição e prisão de Jesus Cristo.

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Procissão sai da porta da Igreja da Boa Morte
Procissão percorre ruas de pedras da antiga capital de Goiás
Farricoco é figura icônica na procissão e representa soldados romanos em perseguição a Cristo
Farricocos da Procissão do Fogaréu
Tradição remonta ao século XVIII
Igreja e Museu da Boa Morte, na cidade de Goiás, também conhecida como Goiás Velha, antiga capital goiana
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Igreja e Museu da Boa Morte, na cidade de Goiás, também conhecida como Goiás Velha, antiga capital goiana

Divulgação
Procissão sai da porta da Igreja da Boa Morte
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Procissão sai da porta da Igreja da Boa Morte

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Procissão percorre ruas de pedras da antiga capital de Goiás
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Procissão percorre ruas de pedras da antiga capital de Goiás

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Farricoco é figura icônica na procissão e representa soldados romanos em perseguição a Cristo
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Farricoco é figura icônica na procissão e representa soldados romanos em perseguição a Cristo

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Farricocos da Procissão do Fogaréu
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Farricocos da Procissão do Fogaréu

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Tradição remonta ao século XVIII
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Tradição remonta ao século XVIII

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Fogaréu é tradição na Semana Santa em Goiás
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Fogaréu é tradição na Semana Santa em Goiás

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Cidade é iluminada por tochas de farricocos
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Cidade é iluminada por tochas de farricocos

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Última ceia é encenada em frente Igreja Nossa Senhora do Rosário, em Goiás
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Última ceia é encenada em frente Igreja Nossa Senhora do Rosário, em Goiás

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Atores encenam em frente Igreja Nossa Senhora do Rosário
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Atores encenam em frente Igreja Nossa Senhora do Rosário

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Multidão acompanha procissão com tochas
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Multidão acompanha procissão com tochas

Homens encapuzados carregam tochas e usam chapéus cônicos coloridos
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Homens encapuzados carregam tochas e usam chapéus cônicos coloridos

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Jesus Cristo é representado por pintura em estandarte
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Jesus Cristo é representado por pintura em estandarte

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Igreja da Boa Morte, onde começa Procissão do Fogaréu
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Igreja da Boa Morte, onde começa Procissão do Fogaréu

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Homens encapuzados representam soldados romanos que prenderam Jesus Cristo
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Homens encapuzados representam soldados romanos que prenderam Jesus Cristo

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Farricocos em escadaria da Igreja São Francisco de Paula em Goiás
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Farricocos em escadaria da Igreja São Francisco de Paula em Goiás

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Procissão do Fogaréu em 2022 na cidade de Goiás
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Procissão do Fogaréu em 2022 na cidade de Goiás

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Tradicional Procissão do Fogaréu, na histórica Cidade de Goiás, teve transmissão na internet este ano, com imagens de edições passadas, em razão da pandemia
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Tradicional Procissão do Fogaréu, na histórica Cidade de Goiás, teve transmissão na internet este ano, com imagens de edições passadas, em razão da pandemia

Ronaldo Pereira/ Portal Difusora Caxias

Conheça o Fogaréu

O evento data do período medieval, iniciado em 1795. O padre espanhol João Perestrello de Vasconcelos Spínola trouxe da Península Ibérica as tradições do período religioso. Ele fundou a Irmandade do Senhor Bom Jesus dos Passos, que desde então passou a estar à frente das alegorias e representações na Semana Santa na cidade.

A procissão acabou sendo esquecida por um período e foi retomada nos anos 1960 com o apoio da artista plástica Goiandira de Couto, que fez uma releitura do evento.

A tradição, repassada de geração em geração, mantém atualmente os ricos detalhes e particularidades, todos preservados ao longo do tempo. A Procissão do Fogaréu começa na Quinta-feira Santa, às 0h, na porta do Museu de Arte Sacra da Boa Morte.

Em seguida, os farricocos – homens encapuzados, vestimentas coloridas e suas tochas – entram em cena como os soldados romanos que prendem Jesus e o levam para Pôncio Pilatos. Segundo a Bíblia e diversos livros de história, Pilatos era o  governador ou prefeito da província romana da Judeia, na atual Jerusalém, em Israel, entre os anos 26 e 36 D.C.

Os farricocos saem em direção ao Santuário de Nossa Senhora do Rosário. Ao chegarem no destino, uma encenação é realizada para relatar a última ceia e a presença de Jesus Cristo.

A jornada em busca do “filho de Deus” continua até a Igreja de São Francisco, que representa o Monte das Oliveiras. A prisão de Cristo é marcada pelo toque penoso do clarim.

O trajeto tem cerca de 1,5 km e dura quase 1h. A figura do Filho de Deus é representada por uma pintura, frente e costas, feita em linho pela bisneta de Veiga Valle, a Sra. Maria Veiga.

A procissão ficou suspensa por dois anos devido à pandemia de Covid-19 e só foi retomada em 2022.

Fé e devoção

A Semana Santa da Cidade de Goiás, que rememora a Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo, possui registros orais da Imagem do Senhor Bom Jesus dos Passos. Ela veio da Bahia para Goiás nos braços dos escravos. As cerimônias são compostas por celebrações, motetos, expressões, procissões, música e crenças.

Ao todo, nove procissões acontecem ao longo dos 40 dias da quaresma. São elas: a do Depósito, Encontro, Transladação, Nossa Senhora das Dores, Ramos, Fogareuzinho, Fogaréu, Penitentes e do Senhor Morto.

Confusão

Apesar da origem medieval, as roupas dos farricocos são comumente associadas à Ku Klux Klan (KKK), movimento supremacista branco fundado nos Estados Unidos, em 1865.

Nas redes sociais, as imagens da Procissão do Fogaréu acabam gerando algum desconforto nos mais desinformados, por não conhecerem o significado bem mais antigo da celebração religiosa goiana. Mas a tradição tem seus defensores nas redes.

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