
Flávio Bolsonaro faz romaria de 4h em GO e evita falar sobre crise com Michelle
Pré-candidato à Presidência caminhou com apoiadores de Goiânia a Trindade, em Goiás, e marcou posição em estado disputado com Caiado

O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) realizou, nesta sexta-feira (26/6), uma caminhada de 18 quilômetros entre Goiânia e Trindade, em Goiás. O trajeto até a Basílica do Divino Pai Eterno teve tom religioso, mas serviu também como gesto político em meio a um momento de desgaste interno no Partido Liberal (PL), após o vídeo divulgado nesta semana pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
Flávio chegou ao ponto de partida por volta das 18h30 e iniciou a caminhada acompanhado de apoiadores. Ao longo do percurso, foi seguido por militantes e simpatizantes, que o recepcionaram na chegada à basílica, por volta das 22h40.
Embora seja evangélico, o senador buscou fazer um aceno à comunidade católica ao participar de uma das romarias mais tradicionais do país. A presença no ato religioso expôs, também, a tentativa da pré-campanha de alargar sua base simbólica para além do eleitorado evangélico, em que o bolsonarismo costuma ter maior aderência.
Flávio disse que participou da caminhada a convite do senador Wilder Morais (PL-GO), pré-candidato ao governo de Goiás. Wilder já integrou o governo de Ronaldo Caiado (PSD), mas hoje representa um palanque próprio do PL em um estado onde a direita chega dividida para 2026.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesA movimentação se dá em um momento em que Caiado, também nome da direita, aparece como rival de Flávio no campo conservador. A visita a Goiás, portanto, não foi apenas religiosa: também marcou a tentativa do pré-candidato do bolsonarismo de ocupar território em um estado estratégico e em disputa dentro da própria direita.
Atrito com Michelle Bolsonaro
O ato ocorreu dois dias depois de Michelle Bolsonaro, madrasta de Flávio, publicar vídeos nas redes sociais, na quarta-feira (24/6), em que afirmou ter se sentido desrespeitada pelo senador durante uma conversa telefônica.
A crise começou após divergências sobre a articulação do PL no Ceará, onde lideranças da sigla discutiram uma composição com o ex-governador Ciro Gomes (PSDB) já no primeiro turno.
No vídeo, Michelle disse que Flávio retornou uma ligação de forma ríspida, que a maltratou e que teria sugerido que ela ficasse fora das decisões partidárias.
“Ele foi muito ríspido, me desrespeitou e me maltratou no telefone”, afirmou a ex-primeira-dama. Ela também disse ter entendido que Flávio não queria seu apoio ou considerava esse apoio irrelevante: “Entendi que ele não queria o meu apoio ou que este era insignificante”.
Questionado sobre o episódio, Flávio evitou responder diretamente sobre Michelle. Sem citar o nome da ex-primeira-dama, o senador disse que havia visitado o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), mais cedo e afirmou que, da parte dele, o assunto era “página virada”.
“É bola para frente, é página virada”, declarou Flávio, ao tentar reduzir publicamente a crise.
A fala, porém, não encerra o desconforto nos bastidores. O vídeo de Michelle expôs um racha na família Bolsonaro e mostrou que a pré-campanha ainda convive com disputas internas sobre quem terá peso real nas decisões políticas.











