
Filipe Barros e Deltan Dallagnol são eleitos senadores pelo Paraná
Barros trocará de Casa no Congresso. Deltan vence após disputar a eleição com a campanha suspensa e candidatura em análise pelo TSE
04/10/2026 19:37

O Paraná elegeu neste domingo (4/10) o deputado federal Filipe Barros (PL) e o ex-procurador da Lava Jato Deltan Dallagnol (Novo) para as duas vagas em disputa no Senado.
Os dois disputaram a eleição na mesma aliança. Filipe e Deltan integraram a chapa encabeçada por Sergio Moro (PL) ao governo do Paraná e chegaram à campanha como os dois nomes do grupo para o Senado.
A vitória de Deltan nas urnas, porém, não encerra a disputa sobre sua candidatura. O Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) deferiu o registro do candidato, mas a decisão foi contestada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Na noite de sábado (3/10), o ministro Floriano de Azevedo Marques indeferiu o registro e determinou que os votos dados ao ex-procurador fossem considerados nulos. A decisão durou poucas horas.
Na manhã deste domingo (4/10), o presidente do TSE, Nunes Marques, suspendeu a ordem de Floriano e determinou que o registro voltasse a constar como “deferido com recurso”. Com isso, os votos recebidos por Deltan foram processados normalmente.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesFilipe e Deltan foram eleitos para mandatos de oito anos, que começam em fevereiro de 2027.

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Ver todasDeltan foi às urnas sem poder fazer campanha
Deltan chegou ao dia da eleição em uma situação incomum. Embora estivesse com o registro deferido pela Justiça Eleitoral do Paraná e tivesse o nome mantido na urna, passou as duas últimas semanas da disputa impedido de fazer campanha por determinação do TSE.
Em 19 de setembro, o ministro Floriano de Azevedo Marques suspendeu os atos de campanha do ex-procurador até que o recurso contra o registro fosse julgado. A decisão o impediu de pedir votos, participar de debates, aparecer no horário eleitoral e usar recursos públicos na campanha. A medida foi depois mantida pelo TSE por 5 votos a 2.
A suspensão, no entanto, não derrubou o registro concedido pelo TRE-PR. A candidatura havia sido aprovada por 4 votos a 3 em setembro e continuou deferida enquanto o recurso seguia para o TSE.
Às vésperas da eleição, a Procuradoria-Geral Eleitoral se manifestou a favor de Deltan. O vice-procurador-geral eleitoral Alexandre Espinosa Bravo Barbosa pediu que o TSE rejeitasse o recurso e mantivesse o registro da candidatura.
O caso ficou sob relatoria de Floriano, o mesmo ministro que havia suspendido a campanha. Na noite de sábado (3/10), ele acolheu o recurso e indeferir o registro de Deltan. O ministro também determinou que os votos recebidos pela chapa fossem considerados nulos.
A decisão foi tomada individualmente e ainda seria submetida ao plenário do TSE. Na manhã deste domingo, Nunes Marques suspendeu os efeitos da medida.
A contestação tem como pano de fundo a decisão do próprio TSE que cassou, em 2023, o mandato de Deltan como deputado federal. Naquele julgamento, a Corte entendeu que ele deixou o Ministério Público Federal enquanto respondia a procedimentos internos para evitar uma possível punição que poderia torná-lo inelegível.
Deltan chega ao Senado depois de uma trajetória marcada pela atuação na Lava Jato e pela passagem curta pela Câmara dos Deputados.
O mandato de deputado federal durou menos de um ano. Em maio de 2023, o TSE cassou o registro de sua candidatura e determinou sua saída da Câmara. A decisão é o principal ponto da disputa judicial que acompanhou sua candidatura em 2026.
Filipe Barros troca Câmara pelo Senado
Aos 35 anos, Filipe Barros troca a Câmara dos Deputados pelo Senado depois de dois mandatos como deputado federal pelo Paraná.
Advogado e natural de Londrina, Filipe começou a trajetória eleitoral como vereador da cidade. Ele exerceu o mandato entre 2017 e 2018 e, naquele ano, foi eleito pela primeira vez para a Câmara. Conquistou a reeleição em 2022.
Filipe também ganhou espaço na oposição ao governo Lula no Congresso. Entre abril de 2024 e fevereiro de 2025, comandou a bancada de oposição na Câmara.
Aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro, o deputado explorou durante a campanha a proximidade com o ex-presidente e chegou a se apresentar como “o 01 do Bolsonaro no Paraná”.
Presidente estadual do PL, Filipe disputou o Senado na chapa formada depois da entrada de Sergio Moro no partido. O arranjo reuniu Moro na corrida pelo governo e Filipe e Deltan nas duas disputas pelo Senado.
A composição também contou com o apoio de Flávio Bolsonaro na corrida presidencial. Durante a campanha, Flávio apresentou Moro, Filipe e Deltan como os nomes de seu grupo político no Paraná.















