Filha de enfermeira morta: “Ficar só no deserto deve ser desesperador”

Lenilda dos Santos morreu na fronteira do México com os EUA após ser abandonada pelo grupo com o qual tentava entrar no país americano

atualizado 26/09/2021 22:22

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“O que poderia dar errado é ela ser presa”. Esse era o maior medo de Genifer dos Santos, filha da enfermeira Lenilda dos Santos, brasileira de 49 anos que morreu na fronteira do México com os Estados Unidos após ser abandonada pelo grupo com o qual tentava entrar no país americano.

Em entrevista ao programa Fantástico, da Rede Globo, neste domingo (26/9), Genifer conta que a mãe, cujo corpo foi encontrado na última quarta-feira (15/9), estava otimista no último contato que manteve com a família aconteceu, no dia 7 de setembro.

“Em nenhum momento ela pensou  ‘Ah, não vai dar certo’, porque querendo ou não, ela estava com amigas ali de muito tempo. O que poderia dar errado é ela ser presa. Agora, nunca na minha vida eu poderia imaginar que isso tudo isso podia estar acontecendo”, revela Genifer.

“Eu imagino que ficar no deserto, sozinha, abandonada com fome, sede, e não ter para quem pedir socorro, deve ser desesperador”, lamenta.

A enfermeira foi achada sem vida em uma área de deserto na cidade de Deming, no estado americano do Novo México. O município fica próximo ao México.

“Eu não aguentei”

De acordo com relatos de familiares ao jornal, Lenilda enviou uma mensagem de voz pelo celular para seu irmão por volta das 15h25 de 7 de setembro, na qual dizia: “Eu dormi aqui, eu não aguentei, eu tô sozinha. Mas eles estão vindo me buscar. Eu tô chegando, falta um pouquinho só para eu chegar. Eu não aguentei”.

Em outro áudio, explicou que estava com sede e pedia que o irmão falasse com os amigos dela a fim de que levassem água para ela. “Eu esperei até 11h, mas ninguém veio. Eu peguei e saí do lugar”, disse. “Eu estou escondida. Manda ela trazer uma água para mim, porque não estou aguentando de sede”.

Desde 5 de setembro, a mulher estava com três amigos e um coiote mexicano na travessia do México para os Estados Unidos, onde tentaria entrar sem o visto.

O irmão da enfermeira, o pecuarista Leci Pereira, relatou que Lenilda foi abandonada pelo grupo porque passou mal durante a caminhada. “Largaram ela para trás. São pessoas que foram criadas junto com a gente, que conhecemos há mais de 30 anos. Ela confiou que eles iam voltar para buscá-la”, ressaltou.

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