Família encontrada morta em apartamento foi vítima de vazamento de gás

Medição da perícia indica monóxido de carbono acima do tolerável. Corpos das vítimas devem ser sepultados na tarde de hoje

atualizado 15/07/2019 10:16

Reprodução

A polícia suspeita que a família encontrada morta em Santo André, no ABC Paulista, foi vítima de um vazamento de gás provocado pelo aquecedor que está instalado no apartamento onde eles viviam. Os corpos foram achados nesse domingo (14/07/2019) pela irmã de um deles. De acordo com a perícia, a taxa de monóxido de carbono medida na residência foi mais de 20 vezes o nível tolerado pela saúde.

A família começou a ser velada na manhã desta segunda-feira (15/07/2019), no Cemitério Parque Vale dos Pinheirais, em Mauá, na mesma região. A expectativa é de que o sepultamento ocorra às 16h. A irmã de uma das vítimas, segundo a ocorrência registrada na Polícia Civil, estranhou a falta de notícias deles desde que chegaram de uma viagem à Disney, na noite de sexta-feira (12/07/2019). Segundo a Polícia Militar, as vítimas não tinham sinal de violência, e não havia sinais de arrombamento na casa.

A arquiteta Kátia Utima, de 47 anos, foi encontrada morta debaixo do chuveiro, que ainda estava ligado. O exaustor também queimava gás, segundo o depoimento do cunhado do casal, Cláudio, à polícia.  O marido dela, o empresário Roberto, de 46 anos, estava abraçado ao filho Enzo, de 3 anos, na cama de baixo de uma beliche. A filha mais velha do casal, Bárbara, de 14 anos, estava no andar de cima do móvel, ainda com o cobertor intacto. De acordo com a perícia, as malas da família sequer haviam sido desfeitas.

O caso está sob a responsabilidade do delegado Roberto von Haydin, do 1º Distrito Policial de Santo André. Segundo ele, há 99% de certeza que a morte ocorreu por envenenamento por monóxido de carbono. Não foi encontrada nenhuma chaminé de exaustão”, disse.

Mortes simultâneas
Segundo informações da Agência Estado, a polícia desconfia que a mãe teria sido a última a tomar banho, após a família chegar de viagem, pois a filha mais velha já tinha ido dormir – e o pai ninava o mais novo. Depoimento de um familiar revelou também que, em junho, antes de viajar, as quatro vítimas já haviam sido atendidas por um médico após crises de vômito e outros sinais de intoxicação. Na época, porém, foram diagnosticadas com sinusite e desidratação. Uma calopsita de estimação da família morreu na mesma semana.

O síndico do prédio disse à polícia que um técnico da Comgás foi chamado ao local, logo após os corpos terem sido encontrados. Ele informou que o equipamento de exaustão estava instalado de forma irregular. Tanto o perito quanto o médico-legista citam intoxicação e asfixia como causa provável das mortes.

Mortos ao inalar fumaça
Um caso semelhante ocorreu na terça-feira (09/10/2019). Um casal e uma criança de apenas dois anos foram encontrados mortos em uma casa em Guarulhos (SP). Segundo a polícia, próximo aos corpos havia uma churrasqueira de alumínio com restos de carvão. A polícia acredita que o casal tenha usado o aparelho para aquecer o local por causa do frio, mas que tenha faltado oxigênio.

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