Falso médico que realizava ozonioterapia é acusado de estupro em SP

Sem registro no CFM, o falso médico também está sendo processado por exercício ilegal da medicina

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atualizado 06/03/2019 12:46

O mineiro Raphael Gustin da Cunha prometia cura para diversos tipos de males aos seus clientes, desde dores nas costas e varizes, até infertilidade. O método, chamado de Ozonioterapia, muitas vezes piorava a condição dos pacientes. Agora, o autodeclarado “ozonioterapeuta” está sendo processado por exercício ilegal de medicina, falsidade ideológica e violação sexual mediante fraude. As informações são do jornal O Globo.

Antigos pacientes de Cunha declararam que ele se apresentava ora como nutricionista, ora como nutrólogo e, em algumas ocasiões, como homeopata. Segundo o Conselho Federal de Medicina (CFM) e os conselhos regionais de nutricionista dos estados de São Paulo e Minas Gerais, Cunha não possui licença para exercer as profissões de nutrólogo e de homeopata, ambas consideradas especialidades médicas.

Antigos clientes do falso médico estudam quais medidas irão tomar, mas alguns já entraram na Justiça contra Cunha. Os atendimentos foram realizados em consultórios de duas cidades diferentes no interior paulista, ambos estão com as portas fechadas. Em 2017, as consultas eram realizadas na cidade de Taubaté e, em 2018, em Santo Antônio do Pinhal.

Em casos relatados ao jornal, antigos pacientes se queixaram de efeitos colaterais como dores na cabeça e corpo, falta de ar, cansaço, ardência e descamações na pele. Uma das pacientes, que fazia um tratamento para dores nas costas, disse que “sentia o gás correr por toda a coluna, a dor ia até o pescoço”.

“Um dia, não consegui dormir por causa do incômodo, levantei para pegar água e desmaiei. Fiquei preocupada e fui pesquisar o número do registro de nutricionista com o qual ele assinava as receitas. Descobri que não havia aquele registro no banco de dados do conselho regional. O questionei sobre isso e ele me ameaçou. Fiquei com muito medo”, declarou ela.

Um casal relata ter procurado a clínica para que cada um fizesse dois pacotes de dez sessões. Após a avaliação de Cunha, o casal pagou junto cerca de dois mil reais. Em um segundo pacote, o homem pagou mais R$ 1 mil e a mulher R$ 4 mil para a realização de outras aplicações. Porém, após cada um realizar apenas duas sessões, eles não conseguiram mais entrar em contato com a clínica, pois os telefonemas já não eram mais atendidos. Ao se deslocarem até o local eles constataram que a clínica havia sido fechada e Cunha tinha desaparecido.

Em um caso mais grave, uma das pacientes do falso médico, que preferiu não ter a identidade revelada, declarou que em 2018 procurou a clínica para tratar um problema de insuficiência suprarrenal após receber um panfleto na rua.

“Ele costumava colocar um cateter e aplicar o gás com uma seringa ou com uma mangueira. Da última vez, doeu muito. Ele riu das minhas reclamações. Nunca mais voltei. Na época, eu não sabia dizer o que tinha acontecido, só me sentia suja, confusa e culpada. Hoje sei e posso dizer: sofri um estupro na sala de atendimento” declarou ela.

Uma antiga funcionária também acusa Cunha de violação sexual. Enquanto trabalhava como secretária em uma das clínicas, ela relatou ao então empregador que estava tentando engravidar, mas sem sucesso. Após ouvir a promessa de que conseguiria engravidar em um prazo de três meses, a mulher aceitou realizar o tratamento. O falso médico fazia aplicações de ozônio na paciente com uma mangueira introduzida na vagina.

 

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