Exclusivo: BC alertou “embrião” do Master sobre risco de liquidação em 2020

Documento obtido pelo Metrópoles mostra que BC viu risco alto e problemas de liquidez ainda no Banco Máxima, comprado por Daniel Vorcaro

atualizado

metropoles.com

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O Departamento de Supervisão Bancária do Banco Central alertou Daniel Vorcaro, em 2020, sobre o risco de o Banco Máxima — que depois deu origem ao Banco Master — sofrer liquidação. Em outubro daquele ano, análise do órgão concluiu que a instituição assumia mais riscos do que era capaz de controlar.

As informações constam em documentos do Banco Central enviados à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, aos quais o Metrópoles teve acesso.

A autoridade monetária indicou que o Máxima poderia ser obrigado a aumentar o percentual de sua reserva obrigatória de capital. À época, a instituição financeira afirmou que o desempenho do banco ao longo de 2021 seria decisivo para a possível exigência.

A análise considerou a situação financeira do Banco Máxima, os riscos das operações e a qualidade dos controles internos. Ao final do acompanhamento, feito entre 2018 e 2020, o Máxima recebeu nota “3-” em escala que vai até 4 (quanto mais perto de 4, pior a avaliação). A conclusão foi aprovada por unanimidade pelo Comitê de Avaliação de Riscos e Controles (Corec).

O Máxima é o “embrião” do Banco Master. Daniel Vorcaro tentou comprar o banco entre 2017 e 2019. O pedido foi negado em fevereiro de 2019, durante a gestão de Ilan Goldfajn no BC. Meses depois, em outubro do mesmo ano, já sob o comando de Roberto Campos Neto, a operação foi autorizada.

À época das negociações para a compra do Banco Máxima, a instituição enfrentava problemas de liquidez e tinha seu então gestor, Saul Sabbá, acusado de gestão fraudulenta.

Segundo o Banco Central, após ter a compra autorizada, Vorcaro fez mudanças na estrutura do Máxima e aportou R$ 150 milhões. O valor foi autorizado pelo próprio BC e ajudou a corrigir a falta de capital e a regularizar o Índice de Basileia, indicador que mede a capacidade de um banco absorver prejuízos sem quebrar.

Mesmo assim, a autoridade monetária avaliou que as medidas para melhorar a liquidez, como a venda de fundos e de ativos, não foram suficientes. O órgão também apontou que o banco tinha baixa reserva de dinheiro para enfrentar dificuldades.

“A atual estrutura de balanço, que possui relação captação x patrimônio muito superior à de seus pares, apresenta-se inadequada para o desenvolvimento dos negócios e para suportar eventuais ajustes”, diz documento obtido pelo Metrópoles.

Os problemas no Máxima já vinham sendo apontados antes mesmo da conclusão do ciclo de acompanhamento em 2020.

Em 2018, o Banco Central enviou ofícios a Vorcaro, que era diretor na época, dizendo que o banco descumpria o limite máximo de exposição por cliente em operações de crédito.


De Máxima a Master

  • A instituição financeira foi fundada em 1974 como Máxima Corretora de Valores.
  • Em 1990, passou a operar como Banco Máxima.
  • O dono era Saul Sabbá.
  • Em 2016, Daniel Vorcaro comprou participação no banco.
  • Em 2017, apresentou proposta para assumir o controle e prometeu aporte.
  • Em fevereiro de 2019, o BC rejeitou a operação.
  • Meses depois, em outubro daquele, a compra do Máxima por Vorcaro foi aprovada.
  • Após mudanças no plano de negócios, o banco foi reestruturado e passou a se chamar Banco Master.

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“Transformação”

Em resposta, Vorcaro afirmou que o banco passava por “grande transformação” e que todos os processos estavam sendo revistos. Ele também garantiu que a instituição faria os ajustes recomendados, com novo plano de negócios, sob acompanhamento da autoridade monetária.

Dois anos depois, ao concluir o ciclo de supervisão do Máxima, o Banco Central alertou, em ofício enviado a Vorcaro, que o não cumprimento das ações já apresentadas para “solução da correção da estrutura de balanço do Conglomerado Máxima” poderia levar, entre outras medidas, à decretação de liquidação extrajudicial do banco.

Apesar dos alertas, a instituição bancária continuou operando e, em 2021, mudou de nome, passando a se chamar Banco Master. Já bem posteriormente, ao identificar crise de liquidez “crônica”, o BC decretou a liquidação do Master, somente em novembro de 2025.

O Metrópoles procurou o Banco Central para explicar por que a autarquia autorizou a venda do Banco Máxima a Daniel Vorcaro e por que a instituição foi mantida em operação, mesmo diante de indícios de irregularidades. Até a publicação desta reportagem, o BC não havia se manifestado. A defesa de Vorcaro também foi procurada. O espaço segue aberto.

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