Ex-ministro da AGU volta a relacionar demissão com Lava Jato
Em entrevista neste sábado (10/9) à Rádio Guaíba, do Rio Grande do Sul, ele disse que foi afastado por ter tomado iniciativas mirando empreiteiras e políticos. Osório acusou o governo Temer de "obstaculizar" o trabalho da AGU

O ex-chefe da Advocacia-Geral da União (AGU), Fábio Medina Osório, demitido nessa sexta-feira (9/9) voltou a relacionar sua saída à suposta insatisfação do Palácio do Planalto com medidas tomadas pela AGU no âmbito da Operação Lava Jato.
Em entrevista neste sábado (10/9) à Rádio Guaíba, do Rio Grande do Sul, ele disse que foi afastado por ter tomado iniciativas mirando empreiteiras e políticos. Osório acusou o governo de “obstaculizar” o trabalho da AGU e criticou a atuação do ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha.
O ex-advogado-geral da União reiterou que é da AGU a competência de proteger o erário público e buscar o ressarcimento de danos causados pela corrupção. Segundo ele, o governo federal não tem interesse em agilizar processos neste sentido.”Desde o primeiro momento em que ajuizamos ações de improbidade contra empreiteiras, buscando ressarcimento de quase R$ 12 bilhões, no início da minha gestão, eu fui submetido a um processo difamatório constante e contínuo”, afirmou. “Falaram mentiras de toda a espécie para tentar justificar a desconstrução moral de uma autoridade.”
De acordo Osório, o “ponto culminante”, que gerou um atrito com Eliseu Padilha, se deu quando a AGU solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) acesso a inquéritos que apuram a participação de integrantes da base do governo no esquema apurado pela Lava Jato. “Ele (Padilha) entende que a AGU tem que estar a serviço dos interesses do governo”, relatou Osório na entrevista.
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Ver todasO ex-advogado-geral da União citou que o ministro Teori Zavascki, do STF, autorizou o compartilhamento de inquéritos da Lava Jato com a AGU, mas o material não foi entregue. “Fomos impedidos de acessar esses inquéritos”, disse Osório. “É muito grave isso que vem ocorrendo com uma ‘obstaculização’ do trabalho da AGU.”
Osório assumiu a chefia da AGU em maio deste ano, apadrinhado pelo próprio Padilha, no início do governo interino de Michel Temer. Na entrevista à Rádio Guaíba, o ex-advogado-geral da União também afirmou que sua sucessora, a ministra Grace Mendonça, tem qualidades técnicas irrefutáveis. “Esperemos que ela exerça com autonomia e independência, sem cerceamento a suas prerrogativas e sem ser submetida ao processo de difamação a que eu fui submetido”, disse.
Neste sábado (10/9), a AGU divulgou uma nota dizendo que as recentes declarações do ex-chefe da instituição, de que o Planalto estaria tentando “abafar” a Operação Lava Jato, “atestam o total desconhecimento das rotinas e procedimentos internos da instituição. O texto destaca que a defesa do erário e o combate à corrupção “é e continuará sendo sua principal missão”.



