“Eu não quero, nem posso, intervir na Petrobras”, diz Bolsonaro

Ministros do governo garantem que a reunião realizada com o presidente da estatal foi para esclarecer o "aumento" do preço do diesel

Marcos Corrêa/PRMarcos Corrêa/PR

atualizado 17/04/2019 8:03

Após reunião com ministros de seu governo com o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, e com técnicos da estatal, nesta terça-feira (16/04/19), o presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL), disse, por meio do porta-voz, Otávio Rêgo Barros, que não tem intenções de interferir na política de preços da empresa. “Não quero, nem posso, intervir na Petrobras”, afirmou o presidente, de acordo com o porta-voz.

Segundo o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes, o motivo da reunião desta terça foi unicamente para “esclarecer a prática de preços para o presidente”. De acordo com o ministro da Economia, Paulo Guedes, o telefonema de Bolsonaro para Castello Branco, quando o chefe do Executivo pediu ao chefe da estatal para suspender o aumento de 5,7% no preço do diesel, foi um “aparente incidente, sem intenção de interferência nos preços da estatal”.

O ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, reforçou que o governo federal não irá intervir no preço dos combustíveis. “Quem vai decidir o aumento e o valor vai ser a Petrobras”, disse. Na ocasião, ele garantiu que Bolsonaro ligou para o presidente da estatal para “pedir esclarecimentos” sobre a prática de preços da empresa.

“Ficou claro que quando a Petrobras falou sobre o reajuste de 5,7%, o presidente pensou em uma dimensão política. A inflação do Brasil está em 3,75%, como que sobe 5,7%?”, questionou Albuquerque. Guedes chamou a iniciativa de Bolsonaro de “natural”. “É natural que [Bolsonaro] peça explicações por uma coisa que acha abusiva”, comentou.

Guedes reforçou o argumento de Albuquerque ao comentar que Bolsonaro estava comemorando 100 dias de governo quando recebeu a notícia do possível aumento. “No dia que eu completo 100 dias no governo, você quer jogar diesel no meu chopp?”, brincou o ministro. “Se fosse para não mexer ou mexer, ele teria conversado comigo”, comentou o chefe da pasta de Economia.

Medidas para caminhoneiros
Questionado sobre as medidas anunciadas para os caminhoneiros autônomos, Guedes garantiu que o diesel não estava entre as principais preocupações da categoria. “Os caminhoneiros tinham 13 razões para se preocuparem. O diesel era apenas a 12ª. Uma das primeiras era a segurança de vida”, completou.

Já o porta-voz Rêgo barros, quando provocado sobre brigas passadas entre antigos governos e a classe caminhoneira, afirmou que “quem não vê passado, não vê presente e não vê futuro”.

Para ele, é importante entender as discussões que se passaram para saber negociar com os caminhoneiros. Durante o encontro, os ministros concluíram que a Petrobras terá de ter uma política de preços “transparente”, mas não confirmaram se o reajuste será mantido.

Além de Castello Branco, Bolsonaro, e os ministros de Minas e Energia e da Economia, estiveram presentes no encontro, o vice-presidente da República, Hamilton Mourão (PRTB); o chefe da Casa Civil da Presidência da República, Onyx Lorenzoni; o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas; e o Diretor-Geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, Décio Oddone,

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