Estudantes denunciam professor por assédio sexual na Unesp

Alunos fizeram manifestação com cartazes dentro do campus em Bauru, exibindo mensagens de conotação sexual que ele teria enviado

atualizado 02/07/2022 10:14

cartaz assedio sexual unesp bauruArquivo pessoal

Estudantes da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp) realizaram um protesto nessa sexta-feira (1º/7) contra um professor que teria assediado alunas. Cartazes com mensagens de conotação sexual que ele teria enviado para algumas meninas foram fixados no campus Bauru (SP). Ele nega as acusações.

Segundo o cartaz, em uma das mensagens o professor Marcelo Magalhães Bulhões, do departamento de Ciências Humanas, teria dito que “a verdade é que nosso desejo não passa”.

Nas redes sociais, alunos divulgaram prints das conversas e convocaram o ato contra o professor: “Assediadores não passarão”, escreveu uma aluna.

Ele foi denunciado por assédio também em 2017, mas o caso foi arquivado no ano seguinte após procedimento administrativo. A universidade informou que o caso será investigado.

Seguranças da Unesp retiraram os cartazes usados como protesto. Marcelo negou qualquer situação de assédio contra estudantes.

Veja a nota do professor na íntegra:

“Foi com estarrecimento que fiquei sabendo que cartazes foram afixados no campus com teor acusatório a mim. Estou ainda chocado. De modo semelhante, foi com enorme e desagradável surpresa que em 2019, em postagem no Facebook, recebi uma acusação de assédio. Naquela altura, ao tomar conhecimento que um coletivo da Unesp havia feito acusações com esse teor, solicitei uma reunião com o grupo de alunas. Elas recusaram o diálogo. Solicitei essa reunião por, naquela altura, estar totalmente perplexo diante das acusações. Uma comissão de sindicância foi, então, constituída pela FAAC – Unesp. Após um processo de investigação, o arquivamento do processo se fez precisamente por afiançar que nenhuma ação do teor de assédio foi por mim cometida. No curso do processo, aliás, recebi depoimentos de incondicional apoio e elogio ao meu profissionalismo, escrito por dezenas de alunas que foram minhas orientandas (mestrado, doutorado e iniciação científica). Portanto, só posso afirmar que estou absolutamente estarrecido diante de uma situação que julgo absurda. Os cartazes, aliás, foram anonimamente forjados e afixados no campus. Sou docente da Unesp desde 1994, ou seja, trata-se de 28 anos de trabalho em sala de aula, tendo atuado ao lado de milhares de alunos, sem que qualquer mínimo indício concreto do que se pode ser classificado como assédio possa ser apontado. Atingem-me do modo mais vil. Entendo que legítimas e importantes demandas da atualidade – luta contra o racismo, movimento feminista – têm produzido uma mobilização de empatia diante de causas importantes. Nesse caso, todavia, estou sendo vítima de calúnia, cuja propagação em tempos digitais é implacável”.

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