Acidente entre ônibus e um caminhão, deixa mais de 40 mortos no interior de São Paulo 2

Entre mortos e feridos, acidentes rodoviários vitimaram 1,3 milhão de brasileiros em 13 anos

Desde 2007, morreram 97,7 mil e 1,25 milhão se feriram nas estradas brasileiras de acordo com a PRF

atualizado 26/11/2020 8:14

Acidente entre ônibus e um caminhão, deixa mais de 40 mortos no interior de São Paulo 2Rafaela Felicciano/Metrópoles

Desde 2007, as rodovias federais fizeram 1,344 milhão de vítimas, uma média de 103,3 mil por ano. O número engloba a quantidade de mortos (97,8 mil) e de feridos (1,246 milhão) entre janeiro de 2007 e setembro deste ano. As informações são da Confederação Nacional de Transportes (CNT) e da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e foram compiladas pelo (M)Dados, núcleo de jornalismo de dados do Metrópoles.

A conta evidencia a grande quantidade de pessoas que sofrem acidentes em rodovias brasileiras. O pico de óbitos aconteceu em 2011, quando 8,7 mil indivíduos morreram. Desde então, esse número caiu ininterruptamente até 2018, ano em que as autoridades registraram 5,3 mil falecimentos.

No ano passado, o total de pessoas que perderam a vida em acidentes rodoviários voltou a crescer e fechou em 5.332, acima 1,2% do que no ano anterior. O gráfico a seguir mostra a quantidade de óbitos anuais desde 2007.

O acidente ocorrido na Rodovia Alfredo de Oliveira Carvalho, entre Taguaí (SP) e Taquarituba (SP) envolveu um ônibus e um caminhão e deixou 41 mortos. Além disso, outras 12 pessoas estão gravemente feridas. O ônibus transportava trabalhadores de uma empresa têxtil.

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Incidentes envolvendo pelo menos um dos dois tipos de veículo mataram quase 46 mil pessoas entre 2007 e 2019, o que representa 47% do total. O  gráfico a seguir mostra a quantidade de falecimentos por ano em acidentes com pelo menos um ônibus ou um caminhão.

Recorde de mortes

O acidente ocorrido na quarta-feira (25/11) em São Paulo foi o mais fatal desde 2015. Além disso, ele já é o sexto maior da história do país, de acordo com cálculos da reportagem. O desastre rodoviário que causou a maior quantidade de mortes no Brasil aconteceu em 1960. Um ônibus que transportava 64 estudantes de São José do Rio Preto (SP) para Barretos (SP) caiu de uma ponte no rio Turvo, matando 59 passageiros.

Neste século, o acidente mais fatal registrado foi em 2015, em Barro (CE), que matou 42 pessoas. Elas morreram após um ônibus da viação Itapemirim, que fazia o trajeto de Fortaleza (CE) a Salvador (BA), cair dentro de um açude.

A tragédia

Uma das vítimas do acidente que matou 41 pessoas na Rodovia Alfredo de Oliveira Carvalho, o motorista de caminhão Geison Gonçalves Machado, de 22 anos, não tinha habilitação para dirigir o veículo. Segundo a companheira dele, Dheimilly Krachinski, o jovem só tinha autorização para carro e, mesmo assim, provisória.

No momento da colisão, Geison estava acompanhado de um outro caminhoneiro. Por estar no banco da passageiro, o carona conseguiu sair praticamente ileso do acidente. Ele teve escoriações e já recebeu alta médica. São informações do G1.

Em depoimento à Polícia Civil de São Paulo (PCSP), o condutor do ônibus  envolvido na colisão afirmou que o freio do coletivo falhou, provocando a batida. O motorista conta que viu um outro ônibus na frente do seu e, por isso, precisou frear bruscamente. De acordo com ele, nesse momento, o freio não respondeu.

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A empresa Star Viagem e Turismo, proprietária do ônibus que o motorista dirigia, não tinha autorização para operar, de acordo com a Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp). “A agência informa que a empresa não possui registro para transporte de passageiros e roda ilegalmente desde 11 de outubro de 2019”, diz nota do órgão.

Segundo a Artesp, a empresa já foi multada várias vezes e era considerada clandestina pelo órgão fiscalizador. Nem no site da Artesp nem no da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) há registros sobre a Star Viagem e Turismo – empresa criada em 2016 e com sede em Taquarituba, segundo dados da Junta Comercial do Estado.

“Em ações fiscalizatórias recentes, no mês de março de 2020, foram registradas algumas infrações à empresa: no dia 3, a Star foi multada por realizar fretamento irregular na Rodovia Raposo Tavares, próximo ao km 296, em Avaré, ao realizar o transporte de 30 estudantes, que saíram da cidade de Fartura com destino à faculdade de Avaré”, relatou a agência.

No mesmo dia, uma nova multa foi aplicada à empresa, por transportar, irregularmente, 43 estudantes com a mesma origem e destino, segundo o órgão. “Dois dias depois, a empresa recebeu nova autuação por fretamento irregular na Rodovia Raposo Tavares (SP-270), próximo ao km 372, em Ourinhos, quando tiveram dois veículos autuados, retidos e realizado o transbordo dos 15 passageiros”, diz a nota.

A Artesp ressaltou a importância dos contratantes e passageiros sempre conferirem se as empresas que oferecem o serviço de fretamento estão cadastradas e reguladas, por meio do site da agência.

O que se sabe

O trágico acidente provocou ao menos 41 mortes e deixou 10 pessoas gravemente feridas na manhã desta quarta-feira (25/11), na Rodovia Alfredo de Oliveira Carvalho, entre Taguaí e Taquarituba, no interior de São Paulo.

Os veículos bateram no km 172 da rodovia, que precisou ser interditada para atendimento da ocorrência. De acordo com informações das corporações que acompanham o caso, morreram 37 pessoas no local e quatro faleceram em hospitais da região.

Os feridos foram levados para hospitais de Taguaí, Fartura e Taquarituba. As informações iniciais dos militares, no local do acidente, são de que o ônibus transportava funcionários de uma empresa têxtil.

Em entrevista à CNN Brasil, o tenente Alexandre Guedes, porta-voz da Polícia Militar de São Paulo (PMSP), pontuou que essa foi “a maior ocorrência em número de óbitos neste ano”, no estado.

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