Empresário de SP quebra contrato milionário por ser chamado de “negão”
“Aí não, Negão. Você quer me f*”, disse Matheus Mason Adorno para o diretor de tecnologia da Proz Educação, Juliano Pereira dos Santos
atualizado
Compartilhar notícia

São Paulo – O diretor de tecnologia da Proz Educação, Juliano Pereira dos Santos, interrompeu um contrato milionário com a a Optat Consulting após ser chamado de “negão” em uma reunião. Santos abriu ainda um processo por injúria racial no tribunal de Campinas, interior de São Paulo.
Pelo contrato, a Proz Educação e a Optat Consulting desenvolveriam um software para a multinacional norte-americana Oracle. Santos afirmou ao G1 que, em outubro do ano passado, participou de uma videoconferência com funcionários das companhias.
A reunião era sobre divergências e descumprimento de prazos por parte das duas empresas. Na ocasião, Matheus Mason Adorno, representante da empresa Optat Consulting, disse: “Pô, negão, aí você me f…”.
Revolta
Santos encerrou a reunião imediatamente, além do contrato. Ele também fez um boletim de ocorrência pela internet por injúria e difamação.
“O sentimento foi de revolta. Isso não pode mais ser tolerado. A decisão foi imediata, durante a reunião, eu falei que o contrato estava rescindido”, disse Juliano ao G1. “A gente não vai permitir que isso aconteça nem uma, nem duas, nem mil vezes.”
O diretor de tecnologia ainda deu início, em 24/6, a um processo na 5ª Vara Cível da Comarca de Campinas contra Matheus, pedindo indenização de R$ 50 mil por danos morais. Santos também está processando a Optat por omissão; a ação tem o mesmo valor.
“Escapou”
Matheus Mason Adorno afirmou ao G1 que foi uma “figura de linguagem” e que é antirracista e que “racismo estrutural que precisa ser combatido”.
“Naquele momento escapou inconscientemente ali a palavra, que foi inadequada sim, mas eu me retratei na hora, e acho que ele mesmo entendeu isso”, afirmou Adorno ao G1.
A Optat Consulting afirmou ao G1 que Matheus foi suspenso e que o contrato rescindido por justa causa por quebra feita da Proz Educação.
“Ocorre que, após a averiguação as testemunhas ouvidas disseram não ter havido o suposto crime, bem como provam que os fatos narrados pelo senhor Juliano estão destorcidos da realidade e na verdade tentam encobrir o real motivo da rescisão do contrato”, disse a Optat em nota.
A Oracle informou que ofereceu apoio para Juliano e se colocou à disposição para colaborar com as autoridades.
Receba notícias do Metrópoles no seu Telegram e fique por dentro de tudo! Basta acessar o canal: https://t.me/metropolesurgente.
















