Empresa do genro de ministro do TCU doou R$ 3,8 milhões a campanhas
O empresário Rodrigo Leicht Carneiro Leão é genro do ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) José Múcio e sócio da Lidermac

Investigada na Operação Vórtex, desdobramento da Operação Turbulência, deflagrada nesta terça-feira (31/1), a construtora Lidermac firmou contratos de R$ 87 milhões com o governo de Pernambuco de 2010 a 2016, segundo a Polícia Federal. Neste período, a empresa, da qual Rodrigo Leicht Carneiro Leão, genro do ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) José Múcio, é sócio, doou R$ 3,8 milhões a campanhas eleitorais.
Dos R$ 87 milhões, contratos no valor de R$ 75 milhões foram fechados até 2014, ano da campanha presidencial do ex-governador Eduardo Campos (PSB), morto em agosto daquele ano em acidente aéreo em Santos (SP).
A PF levou Rodrigo e outros três sócios da Lidermac para depor coercitivamente.
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Os valores, tanto dos contratos quanto das doações, chamaram a atenção dos investigadores, que chegaram à Lidermac a partir das investigações das empresas usadas na polêmica compra do avião Cessna Citation que caiu e matou o então candidato do PSB à Presidência.
A construtora transferiu R$ 159,9 mil para a empresa Câmara e Vasconcelos, que adquiriu a aeronave dois dias depois pelo valor de R$ 1,7 milhão.
A Turbulência já havia identificado que a Câmara e Vasconcelos faz parte do grupo de empresas que teria lavado cerca de R$ 600 milhões em um esquema que teria abastecido as campanhas de Campos ao governo de Pernambuco em 2010, e de Marina Silva à presidência pelo PSB após a morte do ex-governador em 2014.
O superintendente regional da PF em Pernambuco, Marcello Diniz Cordeiro, afirmou que a evolução das doações eleitorais da Lidermac também chamou a atenção dos investigadores. Ele não citou nomes de políticos nem partidos que receberam essas doações, mas afirmou que foram repasses para deputados federais, estaduais e partidos políticos.
De acordo com a PF, em 2006, ano em que Campos foi eleito governador de Pernambuco pela primeira vez, a empresa doou apenas R$ 30 mil. Valor que foi para R$ 3 mil em 2008, saltou para R$ 270 mil em 2010, quando Campos foi reeleito governador e chegou a R$ 1,4 milhão em 2012. Na última eleição em que eram permitidas as doações eleitorais o valor repassado pela Lidermac para campanhas políticas foi para R$ 3,8 milhões.



