Em um mês, pontos atingidos por óleo no Nordeste aumentaram 150%

O rastro de óleo manchou praias, atingiu manguezais e deixou um prejuízo ecológico ainda desconhecido. Marinha e Ibama monitoram riscos

atualizado 31/10/2019 9:26

Carlos Ezequiel Vannoni/Agência Pixel Press/Estadão Conteúdo

A crise ambiental desencadeada pelo derramamento de óleo cru de petróleo em praias da região Nordeste ainda não tem explicação. Dois meses após os primeiros vestígios aparecerem na Paraíba, o número de pontos atingidos não parou de crescer. Para se ter dimensão do problema, houve aumento de 150% nos últimos 30 dias.

Em 30 de setembro, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente dos Recursos Renováveis (Ibama) identificou 113 pontos poluídos. Nessa quarta-feira (30/10/2019), data do mais recente balanço do órgão, eram 283 localidades afetadas pelo óleo.

Apesar do número, o chefe do comando de operações navais da Marinha, almirante de esquadra Leonardo Puntel, tem repetido que o volume de petróleo encontrado no litoral brasileiro tem diminuído. Contudo, pesquisas apontam que há óleo espalhado em placas gigantescas no oceano.

O rastro de óleo manchou praias, atingiu manguezais e deixou um prejuízo ecológico ainda desconhecido. As primeiras manchas apareceram na Paraíba. Entre as medidas adotadas pelo governo, está o uso de barreiras de contenção e a remoção manual com ajuda de voluntários. A pesca foi proibida.

Monitoramentos distintos das universidades federais de Alagoas (Ufal) e do Rio de Janeiro (UFRJ) revelaram imagens de uma mancha de 200 km², que tem características parecidas com as que surgiram nas praias do Nordeste. A placa de óleo foi vista a 50 km do litoral da Bahia.

A Marinha rebateu o estudo. Em nota técnica, afirmou que não identificou relação entre as manchas que chegam às praias e a observada na pesquisa. “Em relação à possível mancha que estaria avançando pelo mar da Bahia, informamos que não se trata de óleo. Foram feitas quatro avaliações para confirmar”, frisa o texto.

O Ibama adotou o mesmo tom. O órgão garantiu que, após a análise da imagem, foi descartada a relação com as manchas de óleo. “Não foi considerada uma feição suspeita de poluição por óleo pelos Analistas Ambientais, sendo apenas mais uma feição de falso-positivo, por não apresentar padrões texturais e técnicos apropriados”, diz, em nota.

O Ibama garante que realiza a avaliação do impacto ambiental diariamente e dá direcionamento de ações de resposta à fauna, bem como orienta sobre a destinação de resíduos e sobre a remoção do óleo, definindo prazos das ações de limpeza e quais os ambientes devem ser priorizados.

“O Instituto requisitou apoio da Petrobras para atuar na limpeza de praias. Os trabalhadores que estão sendo contratados pela petrolífera são agentes comunitários, pessoas da população local, que recebem treinamento prévio da empresa para ocasiões em que forem necessários os serviços de limpeza”, destaca, em comunicado dessa quarta-feira (30/10/2019).

A mais recente investida do governo brasileiro foi a suspensão das atividades de pesca no litoral nordestino entre 1 e 30 de novembro. Dois dias depois, porém, o governo voltou atrás e permitiu a atividade envolvendo camarão e lagosta.

A Marinha recebeu o primeiro comunicado sobre as manchas três dias depois, em 2 de setembro. Somente em 11 de outubro o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, comunicou aos demais ministérios que a Marinha seria a coordenadora do Plano Nacional de Contingência.

“É importante frisar que a gravidade, a extensão e o ineditismo desse crime ambiental exigem constante avaliação da estrutura e dos recursos materiais e humanos empregados, no tempo e quantitativo que for necessário”, afirma a Marinha, em nota técnica.

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