Em terras indígenas, garimpeiro posta no YouTube a rotina do garimpo

Embates com indígenas, ações policiais e rotina de trabalho são divulgadas por garimpeiro ilegal no YouTube

atualizado 16/05/2022 16:16

Reprodução

Vídeos divulgados no canal “Fabio garimpo Junior” mostram o dia a dia dos garimpos ilegais localizados dentro das terras indígenas yanomamis, em Roraima. No YouTube, o garimpeiro divulga cenas em que mostra como é feita a extração ilegal do ouro e as máquinas utilizadas dentro dos territórios.

Em um dos vídeos, o narrador se mostra indignado com a ação dos agentes de fiscalização que queimaram um dos seus veículos que era utilizado para o transporte de ouro. “É assim mesmo. A gente tá aí pra ajeitar, é isso que a gente ganha dos caras”, diz o homem, não identificado, ao encontrar sua caminhonete incendiada.

As informações são da BBC Brasil.

Confira o relato:

O canal no YouTube, com 427 inscritos, divulgou 120 vídeos ao longo dos últimos três anos, mostrando o avanço do garimpo ilegal dentro das terras indígenas.

De acordo com a Hutukara Associação Yanomami, principal porta-voz da etnia, o garimpo ilegal cresceu 46% em 2021, em comparação ao acumulado do ano anterior, com a estimativa de 20 mil pontos de garimpo ilegal.

Os garimpeiros, sem medo de mostrar o rosto, se manifestam contra a presença dos órgãos de fiscalização e contra a área delimitada para os povos indígenas, alegando que eles “não trabalham” e por isso “não merecem” o território.

Nos vídeos, é possível perceber a presença de maquinário pesado utilizado para a exploração de ouro na região, além de helicópteros, aviões e caminhonetes usados para dar apoio aos garimpeiros ilegais.

Nas imagens divulgadas, o canal mostra áreas invadidas pelos garimpeiros ilegais próximos aos rios Catrimani e Uraricoera, em Roraima.

Garimpo no governo Bolsonaro

O presidente da República, Jair Bolsonaro (PL), estimula desde o início do seu governo o garimpo em terras indígenas. Em fevereiro deste ano, foram assinadas duas medidas protetivas para fomentar o “garimpo artesanal”, em que o governo defende que a atividade de exploração ajuda no desenvolvimento sustentável da região amazônica.

O diretor da Hutukara Associação Yanomami, Maurício Ye’kwana, relatou ao Metrópoles que os garimpos ilegais tornam o local de vivência dos indígenas uma terra sem lei.

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