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Cerca de 2.405 mortes violentas foram registradas em 2017 no Rio Grande do Norte. Esse dado representa uma média de 6,6 mortes por dia. O número é de um levantamento do Observatório da Violência Letal Intencional no Rio Grande do Norte (Obvio), da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa), divulgado na segunda-feira (1º/2). A informação é do portal UOL.

O estado passa por uma grande crise de segurança pública devido à greve dos policiais, e as Forças Armadas que estão fazendo o patrulhamento nas ruas, afirma o portal. O governo potiguar não quis comentar os números do Observatório e informou que divulgará dados oficiais ainda nesta semana.

Segundo a série histórica divulgada pelo Obvio, iniciada em 2014, a quantidade de mortes violentas no Rio Grande do Norte em 2017 é recorde no período e representa um aumento de 20,5% frente ao total de 2016 (1.995). Em 2015, a entidade registrou 1.670 mortes violentas; no ano anterior, foram 1.772.

O texto revela que o observatório contabiliza homicídios, latrocínios, lesões corporais seguidas de morte e outras condutas dolosas que resultem em óbito. Os números têm como fontes o Sistema de Controle de Óbitos (Sisobi), usado por cartórios, e o Datasus, do Ministério da Saúde, entre outras.

Segundo a reportagem, os números do Obvio estão em linha com a tendência de alta de mortes violentas no estado registradas em outros estudos. Os números mais recentes do próprio governo potiguar apontavam para 2.027 crimes violentos letais intencionais — a nomenclatura usada nos dados oficiais — entre janeiro e outubro de 2017.

segundo números do governo, o total, de janeiro a outubro de 2017, supera quantidade de mortes violentas no estado no ano anterior (1.979),

Crise começou nas prisões
Segundo o coordenador do levantamento, Ivenio Hermes, a alta na quantidade de mortes violentas no Rio Grande de Norte se deve, entre outros motivos, à falta de conhecimento e controle do governo estadual sobre o sistema prisional.

“Não houve um mapeamento adequado dos criminosos dentro do sistema prisional. O governo não sabe quem é quem, quem pertence a tal facção”, disse. “O boom de violência sai de dentro dos presídios para fora.”

Hermes considera que o estado não buscou políticas sociais para geração de emprego e renda, investindo apenas em reforço policial. O coordenador do Obvio lembrou que esta é a terceira vez em 18 meses que as Forças Armadas são convocadas para garantir a segurança no Rio Grande do Norte, destacou o Uol.

De acordo com o Atlas da Violência, o número de mortes violentas no Rio Grande do Norte mais que dobrou em uma década. Saiu de 896 em 2005 para 1.870 em 2015, segundo o estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, do governo federal (Ipea) e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, com dados do Sistema de Informações de Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde.

Naquele ano, o estado tinha uma taxa de 44,9 homicídios por 100 mil habitantes, a sexta mais alta do Brasil e acima da média nacional, de 28,9.

Crise na segurança
O Rio Grande do Norte vem enfrentando uma crise de segurança pública depois de policiais militares, civis e bombeiros iniciarem operação padrão, em que só são atendidos chamados de flagrantes e com a equipe completa. Os policiais estão com os salários e o 13º atrasados.

Até a última sexta-feira (29/12), o estado pagou o salário de novembro dos servidores que recebem até R$ 4.000. O pagamento contemplou cerca de 80% de servidores da segurança pública, mas os líderes do movimento afirmaram que só voltarão à normalidade das atividades quando todos  receberem.