Em reaproximação, Alcolumbre exalta Lula: “Enfrentou tudo e todos”
Presidente do Senado fez elogio durante agenda com presidente em Oiapoque, dias depois de os dois retomarem o diálogo após meses de tensão

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), fez nesta segunda-feira (17/8) um aceno público ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao elogiar a atuação do petista na exploração de petróleo na Margem Equatorial.
Diante de Lula, o senador afirmou que o presidente “enfrentou tudo e todos” para que o projeto avançasse.
A declaração foi feita em Oiapoque, no extremo norte do Amapá, durante visita ao navio-sonda da Petrobras que realiza pesquisas na região. Foi a primeira agenda pública conjunta dos dois desde a retomada da interlocução entre o Palácio do Planalto e o comando do Senado.
“Muito obrigado pela defesa que o senhor fez, ao longo dos últimos três anos e meio, enfrentando tudo e todos para defender que este projeto chegasse aqui hoje”, disse Alcolumbre, ao citar a Petrobras e afirmar que a estatal “tem que ser o orgulho de todos os brasileiros”.
Lula e Alcolumbre passaram quase três meses sem conversar depois de uma sequência de atritos entre o Planalto e o Senado, cujo ponto mais sensível foi a rejeição da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF).
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Ver todasAlcolumbre comandou o processo que terminou na pior derrota política de Lula no Congresso.
O gelo começou a ser quebrado em 4 de agosto, quando os dois se encontraram em um jantar na casa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
Na última quarta-feira (12/8), Lula recebeu Alcolumbre no Palácio da Alvorada por cerca de duas horas. Depois do encontro, o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, afirmou que o diálogo havia sido retomado e classificou a reconciliação como um “passo gigantesco” para a agenda do governo no Senado.
Na ocasião, Alcolumbre adotou um discurso mais cauteloso. Disse que a conversa com Lula tratou da “relação institucional do futuro”, evitou falar em “paz e amor” e afirmou que o diálogo entre os presidentes dos Poderes havia sido restabelecido. Cinco dias depois, no Amapá, o senador subiu o tom dos elogios ao petista.
A reaproximação se deu também às vésperas das eleições. Alcolumbre pretende disputar novamente a presidência do Senado em 2027 e acompanha com preocupação a possibilidade de crescimento da bancada ligada à direita bolsonarista na Casa, que terá dois terços das 81 cadeiras renovados em outubro.
Apesar da melhora na relação, a retomada da interlocução ainda não significou alinhamento automático no Congresso. Duas pautas relevantes para Lula, as PECs do fim da escala 6×1 e da Segurança Pública, continuavam, até a semana passada, sem sequer receber o despacho inicial de Alcolumbre para começar a tramitar no Senado.
“Soberania” e recado ao exterior
Além do elogio pessoal a Lula, Alcolumbre discursou em defesa da soberania brasileira. O senador citou países que, segundo ele, tentam interferir nas decisões brasileiras.
“Não só por parte de brasileiros que não compreendem a importância da soberania energética, sobretudo aqueles outros países que, infelizmente, insistem em querer tutelar o futuro do Brasil e dos brasileiros”, afirmou.
Alcolumbre colocou o Congresso ao lado de Lula nessa defesa. “Sob a sua liderança e a trincheira de defesa do Congresso, dizemos de uma vez por todas: deixem que nós, brasileiros, que lutamos pela defesa do Brasil, decidamos o que queremos para o Brasil”, declarou.
A fala foi feita três dias depois de a Petrobras anunciar a identificação de hidrocarbonetos no bloco FZA-M-59, na Bacia da Foz do Amazonas. A presença do composto é considerada um indício da existência de petróleo ou gás natural, embora ainda não represente a confirmação de uma reserva comercialmente explorável. A presidente da estatal, Magda Chambriard, afirmou que uma eventual produção na região pode começar em até sete anos.
A exploração da Margem Equatorial é uma bandeira antiga de Alcolumbre, que tem o Amapá como base eleitoral. Depois do anúncio da Petrobras, o senador comemorou a descoberta e afirmou que foram “anos de luta” pelo direito de pesquisar as riquezas da região e, caso a exploração seja viável, transformá-las em emprego e renda.



