Em carta, universidades federais de MG apoiam medidas da prefeitura para combater a Covid-19
Prefeito Alexandre Kalil determinou que, a partir de segunda, apenas atividades essenciais, como supermercados e farmácias, poderão abrir

Professores de universidades federais de Minas Gerais saíram em defesa das medidas anunciadas pelo prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PSD), de fechar, a partir de segunda-feira (11/1), todas as atividades que não são consideradas essenciais. A medita tem como objetivo frear os casos de infecção pelo coronavírus.
Em carta aberta, o Sindicato dos Professores de Universidades Federais de Belo Horizonte, Montes Claros e Ouro Branco (APUBH) endossou a postura da prefeitura que, segundo os professores, segue as orientações do Comitê de Enfrentamento da Covid-19.
“Tornamos público nosso apoio às medidas estabelecidas pelo Decreto Municipal nº 17.523, da Prefeitura de Belo Horizonte, orientada pelo Comitê de Enfrentamento à Covid-19. Esse decreto vem em resposta ao aumento vertiginoso dos casos de infecção, transmissão, internações e óbitos causados pela pandemia, considerando, principalmente, os índices de ocupação dos leitos de UTI disponíveis na capital”, diz trecho do texto.

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Ver todasPor meio do decreto, a capital mineira retornou à “fase zero” da pandemia, registada em março de 2020, quando foram impostas uma série de restrições. “A medida vem no intuito de diminuir as possibilidades de aglomeração e consequente alastramento da doença”, aponta a carta dos docentes.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesO anúncio de fechamento do comércio foi recebido com irritação por parte de empresários de vários setores. Revoltados, comerciantes prometem uma manifestação em frente à prefeitura na segunda-feira, e ameaçam entrar com processos judiciais de setores que se sentiram prejudicados.
Para os professores, no entanto, as medidas são necessárias. “Sabemos os custos e os prejuízos sociais e econômicos da retomada do distanciamento social no grau mais restritivo que vivemos durante a pandemia. Porém, os dados concretos demonstram a necessidade imperativa de se evitar uma catástrofe ainda maior do que a que estamos vivendo”, afirmam.
“A perspectiva de início de vacinação já se apresenta em um horizonte próximo. Precisamos cerrar fileiras para combater a doença e, neste momento, isso significa retomar o distanciamento social com responsabilidade, evitar ao máximo as aglomerações e tomar as medidas de proteção individual, com o uso contínuo dos EPIs”, acrescenta o manifesto.
A carta cita ainda a posição do Grupo Colaborativo de Coordenadores de UTIs de Belo Horizonte, que informou a dificuldade de se encontrar vagas para o tratamento. “Um paciente crítico com Covid-19 que não encontra vaga de UTI tem de três a quatro vezes mais chances de morrer, e os 90 leitos de UTI que ainda temos são muito pouco para o que precisamos para atravessar os próximos meses”, diz o comunicado.
“Necropolítica”
A nota ainda aponta as diferenças na gestão da pandemia com o governo federal. Segundo os professores, o presidente Jair Bolsonaro ainda insiste em “menosprezar os efeitos da pandemia” e os números de óbitos e de infectados.
“A medida, em nível municipal, vem na contracorrente das políticas em nível nacional, em que a ‘necropolítica’ do governo Bolsonaro insiste em menosprezar os efeitos da pandemia e os próprios alarmantes dados de número de óbitos e de infectados pela Covid-19”, afirma.
“Justamente por essa política de negação da ciência, vivemos um momento em que diversos países do mundo começam a vacinar os seus cidadãos e no Brasil ainda não se tem certeza nem se possuiremos o número de seringas e agulhas para vacinar toda a população”, ressalta o texto.
Os professores também citaram a vacina produzida pelo Instituto Butantan, com tecnologia chinesa, e pediram apoio do prefeito para que o imunizante seja oferecido no município.
“Apoiamos o decreto e cobramos da prefeitura que torne público o cronograma de vacinação da população belo-horizontina, e que cobre do governo estadual um posicionamento semelhante”, destaca a carta assinada por várias entidades acadêmicas e sindicais.
Kalil
Em vídeo postado nas redes sociais no último dia 6, o prefeito Alexandre Kalil informou que havia chegado “no limite” e, por isso, seria preciso voltar à “estaca zero”. “Nós avisamos, nós tentamos avisar, que seria um perigo, tentamos manter mais quase 10 dias a cidade aberta, quando os números não eram tão perigosos, mas nós tínhamos pelo menos uma expectativa de responsabilidade”, afirmou.
O fechamento do comércio foi decidido levando em consideração os três indicadores de monitoramento da pandemia em Belo Horizonte: número médio de transmissão por infectado (RT), ocupação dos leitos de UTI e de enfermaria para Covid-19.
A partir de segunda-feira, apenas o comércio considerado essencial poderá estar de portas abertas, como supermercado, açougue, farmácias, agências de correio e bancárias além de lojas de peças e acessórios para veículos. Os bares e restaurantes poderão funcionar apenas para entrega em domicílio ou retirada no local.
Confira a lista de entidades que assinam a carta dos docentes:
APUBH – Sindicato dos Professores da Universidade Federal de Minas Gerais e Campus Ouro Branco/UFSJ – Gestão Travessias na Luta – 2020/2022
ABJD/MG – Associação Brasileira de Juristas pela Democracia/Minas Gerais
ABMMD/MG – Associação Brasileira de Médicos e Médicas pela Democracia/Minas Gerais
APG – Associação de Pós-Graduandos e Pós-Graduandas da UFMG
CTB – Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil
DCE – Diretório Central dos Estudantes da UFMG
FEPEMG – Fórum Estadual Permanente de Educação de Minas Gerais
FITEE – Federação Interestadual dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino
FOMEJA – Fórum Mineiro de Educação de Jovens e Adultos de Minas Gerais
OAP – Organização dos Aposentados e Pensionistas da UFMG
SBPC/MG – Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência
SINAD-MG – Sindicato dos Advogados no Estado de Minas Gerais
SINASEFE- IFMG – Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica – Seção Sindical IFMG
SINDADOS/MG – Sindicato dos Empregados em Empresas de Processamento de Dados, Serviços de Informática e Similares do Estado de Minas Gerais
SINDIELETRO – Sindicato Intermunicipal dos Trabalhadores da Indústria Energética de Minas Gerais
SINDIFES – Sindicato dos Trabalhadores nas Instituições Federais de Ensino
SINDIPETRO/MG – Sindicato dos Petroleiros – Minas Gerais
SINPRO – Sindicato dos Professores do Estado de Minas Gerais
SINTECT-MG – Sindicato dos Trabalhadores nas Empresas de Correios de Minas Gerais
UNCME/MG – União Nacional dos Conselhos Municipais de Educação de Minas Gerais
UNE – União Nacional dos Estudantes



