Em artigo, Regina Duarte se diz alvo de “enfurecidos de esquerda e direita”

A atriz e ex-secretária Especial da Cultura explica quais foram as intenções ao aceitar o convite para o cargo e reclama de críticas

Regina Duarte e BolsonaroMichael Melo/Metrópoles

atualizado 22/05/2020 13:47

Em artigo publicado pelo jornal O Estado de S. Paulo a atriz e ex-secretária Especial da Cultura Regina Duarte afirma que “o posto de projeção” que ocupou “parece ter servido de instrumento a enfurecidos gladiadores entrincheirados nos dois extremos do espectro político”.

No texto publicado nesta sexta-feira (22/05), a atriz explica quais foram as suas intenções ao aceitar o convite do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e rechaçou as críticas que têm recebido de colegas artistas e políticos. A atriz escreveu o artigo dois dias após deixar o comando da Cultura.

“Com o Brasil irremediavelmente polarizado, o posto de projeção que ocupei parece ter servido de instrumento a enfurecidos gladiadores entrincheirados nos dois extremos do espectro político”, destacou Regina.

A ex-secretária continuou a reclamação. “Em vez de uma discussão franca, que seria saudável, por mais altos que fossem os decibéis, o que identifiquei foi só a ação coordenada de apedrejar uma pessoa que, há mais de meio século, vem se dedicando às artes e à dramaturgia brasileira”, afirmou. Para ela, as críticas surgem “à esquerda e à direita”.

Flerte com a ditadura

Regina pediu desculpas por ter minimizado a tortura durante a ditadura militar. Em entrevista à TV CNN Brasil, a atriz cantou Pra Frente Brasil, música associada ao período em que os militares mandavam no país. “Não era gostoso cantar isso?”, perguntou. A música era parte da propaganda ufanista do regime militar.

Questionada sobre o fato de, no período da ditadura, muitas pessoas terem sido torturadas, censuradas e até mortas, ela minimizou.

“Se você falar vida, do lado tem a morte. Sempre houve tortura, censura. Sou leve, estou viva. Estamos vivos, vamos ficar vivos? Não vive quem fica arrastando cordéis de caixões”, considerou.

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“Nada a ver com defesa da ditadura, como quiseram alguns, mas com o sonho de brasilidade e união que venho defendendo ao longo de toda a minha vida”, escreveu, se referindo à canção.

“E me desculpo se, na mesma ocasião, passei a impressão de que teria endossado a tortura, algo inominável e que jamais teria minha anuência, como sabem os que conhecem minha história”, concluiu.

Regina salientou que, ao aceitar o convite de Bolsonaro, sabia que seria alvo de críticas. “Essa certeza, no entanto, nunca me desencorajou. Ao contrário, assumi a missão com a firme convicção de que, para contribuir com a cultura brasileira, teria que enfrentar interesses entrincheirados em ideologias cujo anacronismo não parece suficiente para sepultá-las”, destacou.

Ela emendou. “O que me causa espanto, isto sim, é a total ausência de substância das sentenças condenatórias que me dirigem na praça pública das redes sociais – esse potente megafone usado por grupos organizados dentro e fora da classe artística. Não me vi no centro de um debate acalorado sobre a relevância de uma política pública voltada para as artes, o que seria natural, dado o papel que desempenhei como formuladora de diretrizes nessa área”, frisou.

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