Lula e Alckmin vão ao RS para tentar salvar aliança local com o PSB

Ex-presidente tentará unir candidaturas locais, mas petistas consideram a tarefa difícil e minimizam divisão no 1º turno

atualizado 19/05/2022 16:52

Lula + AlckminDivulgação/ Ricardo Stuckert

Ainda sem uma definição de como ficará no Rio Grande do Sul a aliança entre PT e PSB, partidos que integram a chapa da pré-candidatura ao Palácio do Planalto, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o candidato a vice na chapa, Geraldo Alckmin, desembarcarão no Rio Grande do Sul no próximo dia 1º de junho, onde terão reuniões políticas e eventos da pré-campanha.

Uma das missões do petista será salvar a aliança local com o PSB, partido de seu vice. As chances são consideradas remotas. Apesar disso, a c0oordenação da campanha de Lula quer afastar as possibilidades de que a divisão no palanque, se persistir, se torne um constrangimento para a chapa majoritária.

A disputa entre PT e PSB no Rio Grande do Sul se dá pela vaga de candidato ao Palácio Piratini, sede do governo local. De um lado, o PT gaúcho quer emplacar o nome do deputado estadual Edegar Pretto ao governo. Do outro, o PSB insiste na candidatura do ex-deputado Beto Albuquerque.

“Constrangimento”

Os dos partidos no estado estão em movimentos opostos a um entendimento. Os dois lados apostam mais na formação de palanques distintos. Apesar disso, o PSB confirma a ida de Alckmin na viagem, a primeira ao lado de Lula após o lançamento da pré-candidatura.

Na próxima segunda-feira (23/5), o assunto será tratado em São Paulo, na primeira reunião da coordenação de campanha de Lula com todos os presidentes dos sete partidos que integram a frente. Esta reunião também servirá para a definição da coordenação envolvendo todas as legendas.

“Não será constrangimento, mas precisa combinar como vai ser. Por isso vamos tratar desses assuntos na reunião da coordenação”, disse um integrante do PSB ouvido pelo Metrópoles.

“Corda esticada”

Enquanto isso, Edegar Pretto e Albuquerque esticam a corda na busca pelo apoio do PDT, que defende nacionalmente o nome de Ciro Gomes. Quem conseguir atrair como aliado o presidente do Grêmio, Romildo Bolzan (PDT), poderá sair em vantagem perante ao eleitorado de centro-esquerda no estado, que tem visto a forte tradição trabalhista se enfraquecer, mas ainda significativa.

Bolzan era um nome cogitado para a disputa ao governo, só que, na semana passada, em meio às críticas ao desempenho gremista nos primeiros jogos na segunda divisão, anunciou sua desistência da corrida eleitoral.

A partir de então, os dois nomes do campo de centro-esquerda passaram a buscar o PDT. Edegar Pretto tenta conversas no sentido de atraí-lo para o palanque de Lula, enquanto Beto Albuquerque oferece mais: cogita aderir à campanha do presidenciável Ciro Gomes no Rio Grande do Sul, mesmo com seu partido compondo a chapa majoritária encabeçada por Lula.

Os petistas argumentam que resultados de pesquisas internas apontam Lula à frente do presidente Jair Bolsonaro (PL) no estado, em uma disputa apertada. Beto Albuquerque retorque dizendo que sua candidatura tem mais proximidade com o programa de Ciro Gomes do que com o de Lula.

O PSB gaúcho compôs o governo de Eduardo Leite (PSDB), depois de abandonar a aliança histórica que tinha com o PT no estado e apoiar o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. Após o rompimento, o PSB esteve nos governos de José Ivo Sartori (MDB) e de Leite.

No RS, o PT minimiza o embate e a disputa pelo PDT. Em recente entrevista, o próprio secretário-geral do PT, Carlos Pestana, avaliou como “natural” a procura pelo partido de Ciro, tanto por parte do PT quanto por parte de Beto.

Sem federação, sem compromisso

Desde o fim de 2021, PT e PSB conversaram sobre a formação de uma federação partidária, mas as tensões regionais, incluindo o palanque gaúcho, foram obstáculos para a junção das duas legendas por, no mínimo quatro anos.

A solução encontrada foi fazer uma federação entre PT, PCdoB e PV, o que pode ajudar a salvar essas siglas do risco de extinção, e manter o PSB como parceiro de uma coligação, oferecendo Alckmin como candidato a vice.

Com isso, se desfez o acordo no qual o PSB exigia que o PT não lançasse candidato ao governo em estados que os socialistas colocavam como prioridade.

Palanque

Até o momento, Pretto tem apoio formal do PCdoB e do PV, legendas que formaram federação com o PT no plano nacional.

O petista, no entanto, teme o desfalque do PSol, partido que também está coligado com o PT no âmbito nacional, mas que no Rio Grande do Sul ensaia lançar a candidatura de Pedro Ruas, brizolista de primeira hora e um dos fundadores do PTB e do PDT.

Frente ampla

Segundo um dos coordenadores da campanha de Lula, a viagem dos dois candidatos ao sul do país começará no Rio Grande do Sul e incluirá Santa Catarina. A previsão é de que Lula e Alckmin fiquem um dia e meio em cada estado.

Lula pediu à organização do PT no RS a realização de um grande ato político no centro de Porto Alegre. O evento está programado para ocorrer na Rua da Praia, uma das mais antigas e tradicionais da capital gaúcha.

De acordo com a campanha, o ato não marcará lançamento de candidaturas locais. A ideia é realizar um grande evento com todos os partidos que integram a frente de Lula: PT, PSB, PCdoB, PV, PSol, Rede e Solidariedade.

Busca por empresários

Além disso, Lula pediu que o PT local solicitasse conversas com representantes de setores produtivos, tanto da área industrial quanto do comércio. Pelo menos um evento com empresários locais deverá ocorrer na capital gaúcha.

Outra agenda também pedida pelo petista deverá ocorrer em Novo Hamburgo, na região do Vale do Rio dos Sinos, a 44 km de Porto Alegre. A região é a mais populosa do estado, e conhecida por ser um forte polo calçadista.

Havia também pedido para um evento em Caxias do Sul, cidade a cerca de 100 quilômetros de Porto Alegre, porém essa agenda ficará para outra viagem do ex-presidente ao estado, já durante a campanha formal.

Lula também pediu reunião com responsáveis por cooperativas no Rio Grande do Sul, incluindo empresários de ramo de laticínios, e com movimentos do campo, ligados à Fetraf, ao Movimento de Pequenos Agricultores e ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), base política de Edegar Pretto.

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