Lula diz não exigir desculpas de Alckmin: “Deixou o passado para trás”

O ex-presidente foi novamente questionado sobre a aliança com o ex-tucano com quem já teve embates em outros tempos

atualizado 04/05/2022 11:36

Em São Paulo, PSB oficializa nome de Alckmin como vice de LulaFábio Vieira/Metrópoles

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que será lançado pré-candidato pelo PT no próximo sábado (7/5), disse nesta quarta-feira (5/3) que não tem porque exigir desculpas de seu candidato a vice, Geraldo Alckmin (PSB), que, no passado, como integrante do PSDB, foi adversário do PT em duras campanhas. Para Lula, Alckmin já provou, ao deixar o ninho tucano e se filiar ao PSB para ser seu vice, “ter deixado o passado para trás”.

“Você não acha que o gesto do Alckmin, de ser meu candidato a vice, é uma demonstração inequívoca de que aquilo fez parte de um passado desse país e que as pessoas decentes não querem lembrar? Você não acha que o fato do Alckmin ter se filiado ao PSB, aceitado fazermos um programa de governo juntos e governar esse país junto é um gesto extraordinário de quem está falando assim: ‘vamos deixar pra lá o passado. Nós todos fomos enganados’?”.

“Vamos agora tocar o barco para frente porque o Brasil precisa ser recuperado, o Brasil precisa de emprego, o Brasil precisa de salário, o Brasil precisa de alguém que governe esse país falando um pouco de amor, falando um pouco de solidariedade, de fraternidade e nem alguém falando de ódio. Eu acho que o gesto do Alckmin por si só já diz tudo que ele pensa daquilo que ele fez”, devolveu Lula, ao responder ao questionamento feito em entrevista à rádio CBN de Campinas.

O petista visitará a cidade do interior de São Paulo nesta quinta-feira onde é esperado para dar uma aula mágna na Unicamp.

Lula disse que é preciso respeitar Alckmin e os eleitores que votaram nele e que deram a ele quatro mandatos como governador de São Paulo. “É claro que vamos querer uma parte desses eleitores votando no Haddad agora”, disse o petista.

“Eu tenho que levar em conta e respeitar o homem que governou esse estado de São Paulo por mais de vinte anos”, observou. “Eu acho que uma pessoa que foi eleita como ele foi eleito e ganhou todas as vezes, inclusive do meu partido, eu acho que nós temos que respeitar.

“Eu acho que o ar o Alckmin agrega experiência, agrega algum setor da sociedade que durante muito tempo não votou no PT ou não quis votar no PT”, destacou.

Imprensa

A mesma complacência, no entanto, não se ouviu de Lula em relação à imprensa durante a entrevista à CBN. Lula voltou a cobrar um reconhecimento de que a imprensa comprou como verdadeiras as acusações da Lava Jato, hoje anuladas pela Justiça e reconhecidas como ineptas pela Organização das Nações Unidas (ONU).

“Eu acho que o que deveria acontecer era que uma parte da imprensa poderia pedir desculpa por ter sido enganada pelo (Sergio) Moro e pelo (Deltan) Dallagnol e pela equipe da Lava Jato, pedir desculpa ao povo brasileiro por tanta insensatez dessas pessoas que deveriam por serem homens de Estado, por serem empregados do Estado, deveria ter respeitado mais a sociedade brasileira”, enfatizou o petista.

O saldo que ficou da Lava Jato foram 4 milhões de pessoas desempregadas e a quebradeira da indústria de engenharia brasileira. Foram mais de 170 bilhões de reais que deixaram de ser investidos no setor produtivo desse país e mais 58 milhões de reais que deixaram de ser arrecadados”, disse Lula.

Pesquisas

Lula ainda se disse “tranquilo” em relação à divulgação das pesquisas que mostram uma melhoria do desempenho do presidente Jair Bolsonaro (PL) na disputa e atribuiu o crescimento à saída de Moro do quadro eleitoral.

Para Lula ainda há uma “distância muito grande” nas pesquisas recentes. “O Bolsonaro recuperou três ou quatro pontos nas pesquisas depois da saída do Moro, mas se você perceber bem a nossa distância continua acima de 15 pontos no Brasil, e isso é uma distância muito grande.”

“Eu estou tranquilo e estou com certeza que nós temos todas as condições para ganhar as eleições em 2022”.

 

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