Em novo ataque, Ciro Nogueira diz que PT faz cortina de fumaça

Ministro de Bolsonaro diz que PT busca emular Boric, do Chile, e radicalizar no primeiro turno e moderar no segundo

atualizado 19/01/2022 11:57

Ciro nogueira e o Presidente Bolsonaro participam da cerimônia de Assinatura dos Contratos do Leilão do 5 Palácio do Planalto 2Igo Estrela/Metrópoles

Em novo artigo publicado nessa segunda-feira (17/1), o ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, voltou a criticar o PT e afirmou que o partido está fazendo “cortina de fumaça”.

“Muitos estão estranhando a ‘radicalização’ do tom do Partido dos Trabalhadores e de seu candidato à Presidência da República. Há quem imagine que isso é um ‘tiro no pé’. Não: é uma cortina de fumaça. O objetivo é uma das mais conhecidas táticas de guerra, a manobra diversionista”, escreve ele em texto publicado na Folha de S.Paulo.

O ministro havia publicado um primeiro artigo no domingo (16/1) no jornal O Globo, no qual citava o filme Não Olhe para Cima, recente sucesso da Netflix, e dizia que o eleitor não vai optar “pelo cometa do PT”.

No novo artigo, o auxiliar do presidente Jair Bolsonaro (PL) afirma que a estratégia do PT é semelhante à do presidente eleito do Chile, o esquerdista Gabriel Boric.

“Na prática, o diversionismo que o PT já está praticando se dá em duas frentes. Primeiro, tenta clonar a estratégia do então candidato Gabriel Boric, hoje presidente eleito do Chile: radicalizar no primeiro turno para moderar no segundo”, diz Ciro Nogueira.

“O problema desse artifício é que Boric é um jovem político. Não tem passado. O PT tem. E é marcado por graves e inquestionáveis fatos. Ao fingir ser um novo Boric, o velho PT tenta ocultar do debate o que realmente pretende fazer. Tenta uma carta branca para governar sem compromissos com nada. Sem coerência com nada”, prossegue.

Ciro, que foi aliado de gestões petistas e em 2018 declarou voto em Lula, diz ainda que o PT não quer discutir o PT e cita escândalos de corrupção do partido, além da deterioração econômica nos anos de 2015 e 2016, últimos do mandato de Dilma Rousseff.

“E isso nos leva ao segundo ponto: o PT radicaliza e quer discutir tudo para não discutir nada do PT. Para não discutir as suas cicatrizes, que não se resumem às condenações do ex-presidente Lula.”

“O desastre econômico de 2015 e 2016 não pode ser retirado da história do partido. E, ao tentar impor o discurso do medo, o PT tenta colocar uma venda nos olhos para que ninguém olhe o PT”, prossegue.

Alckmin

A respeito das negociações para que o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin seja vice de Lula, Ciro Nogueira fala em “contradições em mudanças de posição”.

“Não será o PT que irá pautar a campanha presidencial. Não serão as suas palavras de ordem ou seus bordões, suas simplificações terraplanistas sobre o governo e o presidente (‘genocida, negacionista’ e que tais) a essência do debate.”

“O futuro com o PT pode ser assustador, sim. Mas o passado já é suficiente para causar espanto. E não é com prestidigitações retóricas que irá se esconder e esconder o que fez nos verões passados”, finaliza.

“Cai na real”

Presidente do Partido dos Trabalhadores (PT), a deputada federal Gleisi Hoffmann (PR) rebateu o primeiro artigo de Nogueira ainda no domingo.

“Com Bolsonaro, cada dia seguinte é pior que o anterior. Olha pro país, Ciro Nogueira, cai na real”, advertiu Gleisi.

“O ministro [da Casa Civil] de Bolsonaro, Ciro Nogueira, teima em continuar olhando para as nuvens e não para a realidade do Brasil. É o governo do terror falando em terrorismo”, disparou a parlamentar, em uma thread (série de mensagens) publicada no Twitter.

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