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O MDB decidiu deixar sem reserva de recursos públicos do fundo eleitoral as campanhas do pré-candidato à Presidência da República, o ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles, e de mais 14 pré-candidatos a governador do partido nas eleições 2018.

A executiva nacional da legenda repassará R$ 234 milhões – parcela a que tem direito do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) – apenas para deputados federais (R$ 1,5 milhão cada) e senadores (R$ 2 milhões) em busca de reeleição e aos diretórios estaduais, além dos 30% a candidatas mulheres, uma obrigação legal.

Com a decisão, os candidatos a governador, inclusive quem busca a reeleição, terão de pleitear recursos públicos do fundo eleitoral por escrito junto aos diretórios regionais. Serão distribuídos R$ 54 milhões. Houve protesto por parte de dirigentes de estados onde o MDB disputará o governo.

O presidente do partido, senador Romero Jucá (MDB-RR), disse que faltam recursos para os candidatos a governador. O Fundo Eleitoral distribui R$ 1,7 bilhão para as legendas, com base no tamanho das bancadas na Câmara. Segundo o senador, em 2014, foram declarados gastos de R$ 9 bilhões à Justiça Eleitoral.

“Os governadores terão um pouco de recursos direcionados aos estados, mas não há como carimbar recursos do Fundo Eleitoral. Fui uma das poucas vozes quando se discutiu o tema (no Congresso Nacional). Disse que R$ 1,7 bilhão não daria para fazer campanha. Era um faz de conta”, contou o senador.

Falta de apoio
Jucá negou que, ao deixar Meirelles sem recursos públicos, o partido indique falta de apoio à candidatura do ex-ministro da Fazenda. A campanha presidencial tem limite de gastos e arrecadação de R$ 70 milhões no primeiro turno.

“Ao contrário, é um sinal de que a gente acredita na candidatura do Meirelles, porque ele tem condições de bancar sua própria candidatura. Nós vamos discutir com ele a forma de disputar a eleição com recursos próprios que ele dispõe. Felizmente, ele tem essa condição, o que desafoga o aperto dos partidos”, disse Jucá na convenção nacional do MDB. “A prioridade do partido é eleger deputados federais e senadores. E a prioridade do Fundo Eleitoral e do Fundo Partidário é financiar essas candidaturas”, completou.

De acordo com Jucá, a convenção nacional do partido decidirá por voto se Henrique Meirelles será ou não candidato. O evento deve ser realizado na última semana de julho, mas ainda não houve data agendada. Além disso,  Romero Jucá disse que o ex-titular da Fazenda é o ideal para agregar uma imagem nova ao processo eleitoral.

“Meirelles é um outsider da política, um vencedor. Ele deu conta do recado no governo do Lula, no governo do Michel Temer. Tenho ouvido da maioria esmagadora dos diretórios que a candidatura própria é algo bem-vindo para a disputa das eleições”, afirmou o senador.