Com debate cancelado, Bolsonaro e Haddad são sabatinados na RedeTV

Como Bolsonaro não foi liberado por médicos para embates ao vivo na TV, programa gravado deu chance a candidatos para detalharem propostas

atualizado 11/10/2018 21:25

Arte/Metrópoles

Os candidatos que disputam o segundo turno das eleições presidenciais, Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT), participaram, nesta quinta-feira (11/10), do programa RedeTV News, onde, em entrevistas gravadas, responderam a questionamentos sobre sobre vários temas, incluindo impostos, educação, privatizações, agronegócio, Programa Mais Médicos e Bolsa Família.

Foi uma forma de compensar o fato de, por ora, não haver debates, uma vez que o peesselista está impedido de participar de encontros dessa natureza por orientação médica.

Confira aqui os principais pontos expostos por Bolsonaro e Haddad:

Impostos
Bolsonaro – “Não vamos cobrar imposto de renda para pessoas que recebem salário de até R$ 5 mil. “São muitos e são pesados. Minha equipe econômica decidiu que vai reduzir a carga tributária.”

Haddad – Vamos diminuir os impostos de quem ganha pouco e fazer quem não voltar a pagar. É forma de garantir empregos”.

Regulação da mídia
Bolsonaro – “A imprensa deve ter liberdade de produção. A mídia tem que ser livre, em especial na internet”. 

Haddad – “Uma família não pode ser dona da rádio, da TV e do jornal de maior audiência do mesmo estado. Impede você de se informar dos assuntos do seu maior interesse. No mundo todo isso é proibido. Isso vai ser impedido por lei. Temos que ter pluralidade de informação”.

Lava Jato
Bolsonaro – “Não se pode falar em Lava Jato sem pensar no juiz Sérgio Moro, que fez um trabalho espetacular e que nos mostrou as entranhas do poder e como o poder se alimenta da corrupção. Devemos fazer com que, não só o juiz Sérgio Moro, como o Ministério Público e a Polícia Federal ajam com liberdade para combater um dos maiores males que há no Brasil, que é a corrupção”.

Haddad – “A Lava Jato precisa ser apoiada. Temos que fortalecer cada vez mais os órgãos de combate à corrupção. PF, MP, Poder Judiciário têm que ser fortalecidos. Há governos que não põem a sujeira para debaixo do tapete e outros que instrumentalizam esses órgão para não haver o combate a corrupção”.

Porte de armas
ISTOCK

Bolsonaro – “Defendo o uso de armas e lembro o referendo do armamento de 2005, que deu mais poder ao bandido. O governo do PT ignorou o povo”.

Haddad – “Quem tem que portar armas é a polícia para garantir o direito à segurança do cidadão. Esse é o papel do Estado. Teremos uma novidade: Polícia Federal vai passar a enfrentar o crime organizado. O crime organizado não é mais regional, é nacional. As facções são de âmbito nacional. Precisamos de uma polícia nacional, que já temos. Com efetivo novo, mais homens, mais inteligência, mais tecnologia. Aí os índices de criminalidade vão cair”.

Número de ministérios
Bolsonaro – “Vamos reduzir ministérios. Nos últimos anos, o número de órgãos foi ampliado para atender a interesses político-partidários. Desde o primeiro momento não negociei com nenhum partido”.
Haddad – “Há ministérios que foram extintos pelo governo Temer e isso causou grande prejuízo. Ciência e Tecnologia, das Mulheres vão ser recuperados. Igualdade Racial, por exemplo, nós vínhamos bem, com uma política afirmativa que deu muitas oportunidades à população negra, que precisa de atenção especial, sobretudo à mulher negra. Vão ser recuperados”.

Agronegócios
Bolsonaro – “Defendo a fusão do Ministério da Agricultura com o do Meio Ambiente. Vamos acabar com essa briga. O homem do campo sendo ameaçado por fiscais. Há uma verdadeira indústria da multa por parte do Ibama e do ICMBio”.

Haddad – “É muito importante. Produz alimentos, importação, divisas. Precisamos apoiá-lo. Mas terra é para produzir. Não pode ser improdutiva. Isso tem que acabar. Tem que haver respeito ao meio ambiente. Não vamos admitir mais desmatamentos. E garantir alimento saudável, com menos agrotóxicos, estimular a agricultura familiar, a orgânica e introduzi-las na merenda escolar”.

Drogas
Bolsonaro – “Não passa pela minha cabeça a liberação das drogas. Alguns dizem que vamos diminuir a violência e as brigas entre traficantes. Não vamos. Se fosse verdade, não teríamos contrabando de cigarros”.

Haddad – “Traficantes têm que estar na cadeia e o usuário tem que ser tratado. Temos que fazer essa diferenciação muito criteriosamente. De um lado há crime e do outro é caso de saúde pública. O jovem brasileiro precisa conhecer seu próprio corpo e os efeitos da droga sobre ele. Se estiver bem informado, ele vai se afastar da droga naturalmente. Mas temos que tratar e recuperar esse jovem”.

Educação
Bolsonaro – “Não pode haver a chamada ideologia de gênero. Educação é conhecimento. É você tirar o pobre da situação difícil com o conhecimento.

Haddad – “Ensino médio será nossa maior atenção. Temos que ampliar a educação de tempo integral para a juventude. Vou investir da creche até a universidade, como fiz como ministro. Fui o ministro que mais expandiu as chances de um jovem entrar na universidade. Ensino médio, que é responsabilidade dos estados, vai receber atenção especial do presidente. Toda escola federal terá que se responsabilizar pelas escolas estaduais.

Mais Médicos
Reprodução/Mais Médicos

Bolsonaro – “Esse programa Mais Médicos foi criado para atender a interesses cubanos. Não podemos deixar a atuação de pessoas que não se submetam ao exame de revalidação do diploma. Não há nenhuma comprovação que sejam médicos. Vão exatamente enganar os mais pobres. Nós queremos uma carreira típica de Estado para que nesses locais mais distantes o médico nosso vá para lá”.

Haddad – “Talvez um dos maiores legados do nosso governo, mas precisamos dar um passo a mais, na direção que se tenha acesso a um médico especialista. O Mais Médico vai mudar de patamar. Com médicos atendendo você, paciente, na sua região”.

Privatizações
Bolsonaro – “Nós queremos o Estado necessário. Temos que ter responsabilidade. O PT criou mais de 50. É muito. Serão privatizadas ou extintas. Mas não podemos entregar as estratégicas [energia, Banco do Brasil, Caixa, citou]. Temos a situação social das estatais. Temos os servidores”.

Haddad – “Petrobras, Correios, Eletrobras, Banco do Brasil, Caixa Econômica são estatais intocáveis. São patrimônios do Brasil. Geralmente, quando se privatiza, é a preço de banana. Precisamos defender o pré-sal, a Embraer, que o governo Temer decidiu vender para os EUA, como um crime de lesa-pátria. Quem fala que vai vender o patrimônio público, geralmente está com outro tipo de interesse.

Bolsa Família
Bolsonaro – “Ele não pode ser usado para angariar votos e servir de curral eleitoral. Ontem, o general Hamilton Mourão, meu vice-presidente, reunido com Paulo Guedes [economista[, decidiu conceder, caso nós sejamos eleitos, o 13º para quem ganha o Bolsa Família. Não vai ter um custo adicional. Ele virá do combate ao roubo e à fraude. O Bolsa Família tem que existir. Não vale esse fake news pregado pela esquerda de que eu vou acabar com o Bolsa Família. Pelo contrário, nós vamos dar o benefício para quem realmente merece, precisa dele”.

Haddad – “Precisa ser fortalecido. Nós vamos cuidar das pessoas. Dou um recado: para o adversário, o pobre é parte do problema. Para nós, é parte da solução. Quando se dá poder de compra para os mais pobres, se aquece a economia. E quando se aquece a renda, se cria empregos, como fizemos nos nosso governo. Conte conosco, porque é um programa que temos muito orgulho”.

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