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Brasil

El Niño não explica sozinho ventania em SP e RJ, dizem especialistas

Apesar de influenciar o clima, meteorologistas explicam que El Niño não é causa direta da ventania em SP e no RJ

30/07/2026 04:00
Divulgação / Prefeitura de São Sebastião
El Niño não explica sozinho ventania em SP e RJ, dizem especialistas

O forte temporal acompanhado de ventania que atingiu as cidades de São Paulo e Rio de Janeiro nesta quarta-feira (29/7), deixando mortos, feridos e um rastro de destruição, ocorreu em meio ao fortalecimento do El Niño no Oceano Pacífico. Apesar disso, especialistas ouvidos pelo Metrópoles afirmam que o fenômeno climático não explica, por si só, o evento extremo.

Segundo os meteorologistas, o El Niño já influencia a circulação atmosférica global e pode alterar os padrões de chuva e temperatura ao longo dos próximos meses.

A ventania que provocou quedas de árvores, desabamentos e interrupções no fornecimento de energia, porém, foi causada por sistemas meteorológicos de curto prazo, como uma área de baixa pressão e a atuação de ventos em diferentes níveis da atmosfera.

“A causa imediata dessa tempestade não foi o El Niño. O fenômeno funciona como um pano de fundo climático, aumentando ou reduzindo a frequência de determinados sistemas atmosféricos, mas não provoca um temporal isoladamente”, explica a meteorologista Andrea Ramos.

Segundo atualização divulgada nesta semana pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), a anomalia na região Niño 3.4 chegou a +1,4°C, confirmando o estabelecimento do El Niño. A agência estima cerca de 90% de probabilidade de o fenômeno atingir intensidade forte ou muito forte entre agosto e outubro.

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Andrea ressalta que os impactos do fenômeno aparecem de forma gradual. “Ele já influencia a circulação atmosférica global, modificando o transporte de umidade e a distribuição das chuvas. Mas isso não significa que cada tempestade possa ser atribuída diretamente ao fenômeno”, afirma.

Evento foi provocado por baixa pressão e ventos em altitude

De acordo com o meteorologista do Instituto Brasileiro de Meteorologia (Inmet) Olívio Bahia, a tempestade desta quarta-feira foi resultado da combinação entre uma área de baixa pressão próxima à superfície e um padrão de ventos na média e alta troposfera, que favoreceu a formação de instabilidades.

“Esses ventos em altitude, combinados com a baixa pressão e a umidade disponível, criaram as condições para a ventania observada em São Paulo, Rio de Janeiro e parte do Sul e Sudeste. É um processo meteorológico típico e não há, neste momento, evidência de uma ligação direta com o El Niño”, explica.

Bahia reforça que ainda não existe uma relação científica consolidada entre episódios de ventania como os registrados no Sudeste e a atuação do fenômeno.

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El Niño deve influenciar o clima nos próximos meses

Embora não explique a ventania registrada nesta semana, o fortalecimento do El Niño deve alterar o comportamento do clima no Brasil ao longo do segundo semestre.

As previsões do CPTEC/INPE, do Inmet e da Funceme apontam maior probabilidade de chuvas acima da média na Região Sul entre agosto e outubro, aumentando o risco de tempestades, enchentes e deslizamentos.

Já no Norte, Nordeste e parte do Centro-Oeste, a tendência é de precipitações abaixo da média e temperaturas mais elevadas, cenário que favorece a intensificação da estiagem, das queimadas e da baixa umidade.

No Sudeste, especialistas esperam temperaturas acima da média e chuvas mais irregulares. Ainda assim, ressaltam que episódios de ventania e chuva intensa continuarão sendo provocados por sistemas meteorológicos específicos, como frentes frias, cavados e áreas de baixa pressão, e não podem ser atribuídos automaticamente ao El Niño.

“O fenômeno altera o cenário climático de fundo, mas quem provoca uma tempestade é sempre o sistema meteorológico que está atuando naquele momento”, conclui Andrea Ramos.

Rastro de destruição

Desde a tarde desta quarta-feira (29/7), a cidade do Rio de Janeiro está em estágio 2 de atenção, quando há possibilidade de ocorrências de alto impacto. A Defesa Civil também emitiu um alerta para rajadas de vento de intensidade moderada a forte entre a noite de quarta e a manhã desta quinta-feira (30/7).

Na capital fluminense, rajadas superiores a 100 km/h provocaram um apagão em diversos bairros das zonas Sul e Oeste, além de quedas de árvores e destelhamentos.


Recomendações da Defesa Civil

  • Evite permanecer perto de árvores, postes, estruturas metálicas e placas durante a ventania.
  • Não fique em áreas abertas enquanto houver chuva e rajadas de vento.
  • Recolha ou prenda objetos em quintais, varandas e áreas externas para evitar que sejam levados pelo vento.
  • Motoristas devem redobrar a atenção nas rodovias, devido ao risco de queda de árvores, objetos na pista e redução da visibilidade.
  • Acompanhe os alertas da Defesa Civil, que segue monitorando a evolução da frente fria.
  • Em caso de emergência, acione a Defesa Civil (199) ou o Corpo de Bombeiros (193).

Segundo o Corpo de Bombeiros, até as 19h, a corporação havia atendido 158 ocorrências relacionadas à ventania em todo o estado. Desse total, 93 foram para corte de árvores, 31 para salvamento de pessoas e cinco por desabamentos.

Duas pessoas morreram após a queda de um muro no bairro de Santa Teresa. Uma das vítimas foi identificada como o ex-jogador do Botafogo Tássio Maia dos Santos. A informação foi confirmada pelo clube carioca.

Ainda no estado, um pescador está desaparecido em Mambucaba, distrito de Angra dos Reis, após o naufrágio de uma pequena embarcação.

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Em São Paulo, a ventania também deixou mortos: um em Santos, no litoral paulista, outro em São Sebastião, no litoral norte, e um terceiro em Cesário Lange, no interior do estado.

A capital paulista também registrou uma série de estragos provocados pelos ventos. Foram contabilizadas 18 quedas de árvores, além da queda de um poste e de um galho de grande porte em diferentes bairros.

Os aeroportos de Congonhas, em São Paulo, e Santos Dumont, no Rio de Janeiro, também tiveram alterações nas operações por causa das condições meteorológicas.