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Educação Profissional

Prorrogação do Plano Nacional de Educação expõe desigualdade no Brasil

Para especialista, a discussão desse novo PNE não foi priorizada no prazo antes do encerramento do plano vigente

15/07/2024 06:25
Getty Images
Prorrogação do Plano Nacional de Educação expõe desigualdade no Brasil

Na última quarta-feira (3/7), a Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei n°5.665/2023, que prorroga o Plano Nacional de Educação (PNE) até 31 de dezembro de 2025. O planejamento decenal acabou neste ano de 2024, mas apenas quatro das 20 metas foram cumpridas; portanto, o adiantamento daria mais tempo para o cumprimento de mais metas.

O PNE, estabelecido pela Lei n°13.005, foi sancionado em 26 de junho de 2014 e visa melhorar a educação do país, baseado em 20 metas que devem ser atingidas em 10 anos.

A proposta que visa prorrogar o PNE é de autoria da senadora Professora Dorinha Seabra (União-TO) e, com a aprovação na Câmara dos Deputados, vai à sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A gerente de políticas educacionais do Todos Pela Educação, Manoela Miranda, explica que o PNE é uma oportunidade de promover a equidade do sistema educacional e que o novo Projeto de Lei (PL) do Plano Nacional de Educação (PNE) 2024-2034, que será encaminhado ao Congresso Nacional, é uma oportunidade de corrigir rotas rumo à evolução.

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” O plano nacional de educação é um plano decenal, que tem o objetivo de orientar os caminhos para educação do país com diretrizes e metas específicas; portanto, ele é fundamental para dar esse direcionamento às políticas educacionais do país e para promover a equidade no sistema educacional para garantir que todas as pessoas tenham direito acesso a uma educação de qualidade.”, explica.

Manoela também explica que esse adiantamento não expõe uma deficiência na educação, mas “evidencia que a discussão desse novo PNE não foi priorizada no prazo antes do encerramento do plano vigente entre 2014 e 2024”.

Com o adiamento, a gerente deixa bem claro que é importante avançar ainda mais nas metas importantes e possíveis de serem cumpridas, e não em decisões para alcançar o maior número, pois algumas são improvaveis de serem alcançadas em apenas um ano.

“Manter algumas prioridades que já foram estabelecidas pelo governo é a chave para que essas metas avancem. Como, por exemplo, o avanço do tempo integral, da educação infantil e dos resultados de alfabetização nacionalmente já alinhados com políticas prioritárias do governo”, destaca a gerente de políticas educacionais do Todos Pela Educação.

Ensino técnico

A pedagoga Kênia Lima ambém aponta que uma das importâncias do plano consiste na oportunidade do ensino técnico. Em 2023, dados do Insper revelaram que apenas 8% dos jovens que concluem o ensino médio no Brasil cursaram a modalidade de ensino técnico.

“O plano nacional de educação é importante para a educação brasileira, porque ela visa nivelar o ensino básico. Alinhando o currículo de cada segmento e dando assim, a mesma oportunidade para todos os estudantes, inclusive oportunidade de aprendizagem no ensino técnico”, conta a pedagoga.

No quesito dificuldades que o Brasil enfrenta para o alcance pleno do PNE, Kênia frisa a desigualdade educacional, especialmente quando comparado com o ensino público.

“Sabemos que no nosso país as oportunidades não são as mesmas para todos. O que dificulta, e muito, o alinhamento e as oportunidades para aqueles estudantes que almejam vagas no ensino técnico e superior e que estudam na rede púbica. Está aquém do ensino ofertado na rede privada. Hoje, o ensino privado, em sua maioria, já aplica a Base Nacional Comum Curricular (BNCC). O mesmo não podemos dizer do ensino público nacional, que ainda oferece um currículo deficiente para seus estudantes, não os igualando na aprendizagem.”

Prorrogação do Plano Nacional de Educação expõe desigualdade no Brasil