Número de transexuais e travestis inscritos no Enem dobrou em 2015
Este ano foram 278 candidaturas, 176 a mais do que em 2014. Número de veteranos inscritos também supera o de novatos
atualizado
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Neste ano, 278 candidatos transexuais e travestis se inscreveram para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). O número é maior do que o do ano passado: 102. Os candidatos serão identificados com o nome civil, mas serão tratados pelo nome social – o cartão traz os dois. Ao todo, serão feitos 150 mil atendimentos especializados.
Foram 12 recursos especiais ou tipos de auxílio disponíveis para candidatos, como intérpretes, salas de fácil acesso, prova superampliada, intérprete de libras e leitura labial. O Enem vai providenciar ainda 92.821 atendimentos chamados específicos – são 1.711 idosos, 71.195 candidatos que por motivos religiosos guardam o sábado, 8.424 gestantes e 10.773 lactantes.
Veteranos à frente
Neste ano, o número de inscritos que vão tentar o Enem pela primeira vez – 2,5 milhões – representa menos da metade do total de candidatos que já fizeram a prova em edições anteriores: 5,2 milhões. Desde 2010, é a primeira vez que a quantidade de veteranos supera a de novatos. Em relação ao ano passado, a redução de candidatos estreantes foi de 47%.
Na comparação com o Enem 2014, o recuo dos estreantes no exame foi mais acentuado entre os candidatos ainda no começo ou na metade do ensino médio (cerca de 20%). Esse grupo, na maioria, é formado pelos treineiros: alunos que ainda não podem tentar uma vaga na faculdade, mas querem ter uma experiência real de prova.
A divisão por idade também mostra que a redução foi maior entre os bem jovens. O grupo de candidatos com 16 anos ou menos, que normalmente ainda não chegou ao 3.º ano do ensino médio, está quase 40% menor do que na edição anterior.
O presidente do Inep, Chico Soares, também atribuiu a queda, em parte, a mudanças nas regras para a dispensa do pagamento de taxas de inscrição. Candidatos que declaram carência socioeconômica e não comparecem aos dois dias de exame perdem o direito de pedir novamente a dispensa no pagamento das taxas no ano seguinte. “Talvez quem não esteja muito seguro tenha optado por fazer o Enem somente no ano que vem”, analisou Soares. “O importante é ressaltar que ninguém ficou de fora por falta de condições financeiras para o pagamento das taxas.”
