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Educação

Filho de diarista é aprovado em primeiro lugar em direito na PUC-Rio

João Antonio Lima da Silva, 17 anos, também conseguiu uma bolsa integral pelo Programa Universidade para Todos (ProUni)

Estadão Conteúdo14/02/2017 09:30
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Hélvio Romero/Estadão Conteúdo
Filho de diarista é aprovado em primeiro lugar em direito na PUC-Rio

Ele sempre foi um dos melhores alunos da turma e, quando cursava o 8º ano, um professor o indicou para um programa que oferece bolsas para estudantes da rede pública nas melhores escolas particulares do Rio de Janeiro. A investida funcionou: João Antonio Lima da Silva, 17 anos, conseguiu vaga e neste ano foi aprovado em primeiro lugar no curso de direito da Pontifícia Universidade Católica (PUC-Rio) e uma bolsa integral pelo Programa Universidade para Todos (ProUni).

João Antonio mora no bairro Benfica, na zona norte do Rio, com a mãe, que é diarista, dois irmãos mais novos, o padrasto e um tio. Desde que entrou na escola, aos cinco anos, ele sempre estudou em escolas públicas. “Sempre tive boas notas, gostava muito de ir para a escola e de estudar”, contou.

Quando estava no 8º ano, um professor de matemática o orientou para fazer a prova de bolsas do Ismart — entidade privada que concede bolsas em escolas particulares para jovens de baixa renda de 12 a 15 anos. “Não sabia o que era e nunca tinha falado desse programa, mas tentei e consegui. Foi a melhor coisa que poderia ter me acontecido”, relembrou.

O jovem ganhou uma bolsa para o colégio São Bento, mas continuou estudando na rede pública municipal. “Estudava de manhã no São Bento e a tarde na escola pública. Era muito puxado, acordava cedinho, pegava ônibus e só voltava para casa a noite”, narrou.

No ensino médio, ele estudou apenas no colégio São Bento, mas em período integral. Ele contou que foi difícil acostumar com o ritmo de estudos e a cobrança da nova escola. “Eu estava acostumado a ser o melhor e lá não foi assim, mas depois consegui melhorar”, disse.

João Antonio contou que virou referência na família e entre os vizinhos. “Minha mãe conta pra todo mundo tudo o que eu consegui, ela tem muito orgulho”, relatou. Silva disse que decidiu cursar direito para ajudar pessoas como a sua mãe e familiares. “Onde eu cresci via que as pessoas não sabem que têm direito a educação, assistência social. Eu quero poder ajudá-las”, justificou o jovem, que pretende prestar concurso público para ser promotor de justiça.