Educação do futuro deverá estimular novas habilidades em estudantes

Escolas deverão formar jovens para o mercado do amanhã, estimulando aspectos como empreendedorismo, liderança e cidadania

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Paula Filizola
 

Agilidade, criatividade, argumentação, inovação, responsabilidade social, cidadania. Essas são só algumas das competências esperadas dos estudantes do século 21. O mundo de quem começa a educação básica hoje vem se transformando de maneira rápida. Possivelmente, ao se formarem no ensino médio, os alunos vão escolher carreiras totalmente novas.

A expectativa é de que em 2030, 85% das pessoas empregadas exerçam profissões que sequer existem nos dias de hoje."

O grande desafio é como as escolas podem se preparar para atender melhor a demanda de formação desses estudantes, com currículos mais colaborativos e novas formas de construção de conhecimento. Uma das saídas é trabalhar a transdisciplinaridade, treinar melhor os educadores, bem como buscar maneiras criativas de reinventar o ensino.

Nhsmun/DivulgaçãoEventos que simulam atividades como da ONU ajudam estudantes a exercerem habilidades de liderança, cooperação e negociação

Gerente de projetos do Instituto Ayrton Senna, Monica Pellegrini acredita que as instituições de ensino terão de prever espaços para articular habilidades e conhecimentos para além do ensinado nas disciplinas tradicionais. “O professor vai trabalhar isso de forma intencional”, explica. A ideia envolverá a elaboração de projetos de vida junto aos alunos com foco no autoconhecimento.

Esse formato potencializa o desenvolvimento cognitivo daquilo que realmente interessa aos estudantes."
Monica Pellegrini, gerente de projetos do Instituto Ayrton Senna

O novo currículo também exigirá mudanças para os professores.De acordo com Helton Souto, também gerente de projetos do Instituto Ayrton Senna, a formação inicial e continuada de docentes deve contemplar essas novas habilidades. “Eles [os docentes] são os vetores de inovação e mudança – são as pontas de lança”, afirma.

Novos caminhos
Segundo o educador norte-americano Mark Prenksy, na nova era da automação, as únicas pessoas que terão empregos serão aquelas independentes, altamente comunicativas e que saibam conquistar uma rede de contatos impressionante. Estudos apontam para o fim de 47% dos empregos atuais nos próximos 25 anos.

O pesquisador afirma que um novo tipo de educação está emergindo, muito mais voltado para as possibilidades do mundo real. “Não é que todo conteúdo ensinado anteriormente esteja ultrapassado, mas até o básico do que era ensinado antes precisa ser revisitado. Muito do que aprendíamos pode ser feito hoje por calculadores ou celulares avançados”, argumenta Prenksy, autor de sete livros sobre tecnologia e educação.

Há vários modelos de escolas que já trabalham com esse formato transdisciplinar dos currículos. A Concept, que começou a operar em São Paulo neste ano, é um exemplo. A instituição atua com um currículo trilíngue, sendo português, inglês e a fluência digital. Entre as novidades, estão atividades como meditação, para melhorar a concentração; treinos para o cérebro com lições para controlar e impulsionar pensamentos; e técnicas de aprimoramento do pensamento.

Ainda há muito a ser reformulado, mas a base é debater a implementação de novos currículos mais integrados juntamente com a capacitação de profissionais de educação – professores e gestores. “A escola toda muda”, conclui Monica Pellegrini.