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Alcançar a pontuação máxima na redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) eleva a nota final e garante uma boa colocação na disputa. A missão de conseguir 1000 pontos na dissertação parece quase impossível, mas o Metrópoles selecionou algumas dicas, baseadas na experiência de quem já foi bem-sucedido nessa façanha e também na palavra de especialistas em língua portuguesa. São sugestões valiosas, que indicam o caminho do tão sonhado texto perfeito.

A primeira coisa, é saber os critérios que serão considerados na hora da correção de sua prova. Cada um dos itens abaixo vale 200 pontos. Fique atento:

– Demonstrar domínio da modalidade escrita formal da língua portuguesa;
– Compreender a proposta de redação e aplicar conceitos para desenvolver o tema, dentro dos limites estruturais do texto dissertativo-argumentativo em prosa;
– Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista;
– Demonstrar conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação;
– Elaborar proposta de intervenção para o problema abordado.

O passo a passo a seguir apresenta o que o candidato deve fazer no domingo (5/11) para construir uma excelente dissertação. As dicas são da professora de redação e interpretação de texto Amanda Lima de Araújo, 29 anos, que dá aula no colégio Galois, em Brasília.

1º – Ao pegar a prova, vá direto à redação para saber qual será o tema 
Ao conhecer o assunto da produção textual, ao longo da leitura das questões irão surgir argumentos para embasar a sua dissertação. O Enem costuma contextualizar toda a prova, com textos de apoio relacionados ao tema central da redação.

É interessante interpretar os infográficos e dados da prova. A conclusão dessa análise pode ser usada na redação para embasar e problematizar as frases. Nenhum desses trechos pode ser copiado – eles servem de reflexão ao candidato.

– Separe 1h de prova para a redação
Planejar é fundamental. Isso começa com a divisão do tempo que irá proporcionar tranquilidade na hora da produção textual. Fazer a redação antes ou depois de resolver as questões é uma escolha de cada candidato. Mas a professora Amanda Lima de Araújo sugere que ela seja escrita após a resolução da prova objetiva. Se você escolher começar pela redação, ao menos leia as perguntas do exame primeiro a fim de ter novos estímulos.

– Faça um rascunho com os principais elementos de introdução, desenvolvimento e conclusão
É preciso analisar se todas as competências estão sendo abordadas e se você não foi prolixo. Releia cada parágrafo concluído e certifique-se de ter escrito, de fato, o que queria dizer. Retire repetições e seja objetivo. O rascunho não deve ser considerado uma opção: o texto começa pelo esboço, com várias ideias que surgem nesse momento.

– Atenção para que o padrão formal da língua seja simples e objetivo nas ideias
Revise antes de passar o texto para a folha definitiva. Isso é fundamental. Verifique a constância de palavras e expressões repetitivas, sobretudo com termos conectivos. Errou? Apenas passe um traço, não precisa rabiscar a prova. A apresentação visual não é uma competência avaliada, mas é muito mais agradável para a pessoa que irá corrigir ler um texto limpo.

– Na conclusão, é importante apresentar uma solução ao problema que o tema traz
A prova é chamada de “cidadã” e, justamente por isso, os problemas sociais abordados são passíveis de solução. Essa competência precisa ser bastante explorada. Além da proposta de intervenção, é importante apresentar os agentes que irão solucionar a questão. Ou seja, a explicação deve possuir um resultado palpável e, nesse sentido, é importante detalhar o que cada esfera pode fazer.

Por exemplo, o governo com políticas públicas, na macroesfera; a família, a comunidade e a escola, na microesfera. Isso para dar a ideia de progressividade e avanço ao discurso do candidato – o que deve ser feito de forma impessoal, sempre na terceira pessoa.

Esses remédios sociais não precisam vir apenas no fim do texto. A proposta de intervenção pode ser diluída em todos os parágrafos. É crucial que o examinado mostre a capacidade de refletir sobre problemas sociológicos.

Confira, abaixo, assuntos da atualidade que podem ser abordados na redação do Enem 2017:

Joelson Miranda/Metrópoles

Redação não é rede social
O Enem deste ano chega com uma polêmica. A Justiça derrubou a regra de que textos contra os direitos humanos seriam zerados. No entanto, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), responsável pelo exame, já anunciou que vai recorrer, por meio da Advocacia-Geral da União (AGU). Diante do impasse, o melhor a fazer é respeitar o edital, para não ser penalizado futuramente.

A professora de redação e interpretação de texto Amanda Lima de Araújo aconselha os candidatos a evitarem fazer afirmações que possam soar como desrespeito ao ser humano.  “Opinião não é argumentação. Vivemos um período sensível no país, politicamente. A hora da prova é um momento diferente das redes sociais e o candidato deve ficar atento para escrever de maneira formal”, alerta.

A questão da liberdade de expressão também é destacada pela profissional. “Qualquer pessoa pode discutir qualquer assunto e dar a sua opinião, mas, para isso, não precisa desrespeitar o seu semelhante. Discursos que incentivem o ódio e a violência, obviamente, não serão admitidos em um exame de educação, considerado uma porta para a cidadania”, acrescenta.

Em relação à correção das redações, Amanda diz que com o passar dos anos a quantidade de pessoas com a nota máxima no Enem tem diminuído, justamente pelos argumentos prontos ou textos padronizados, que são cópias do que aparece nas redes sociais. “Apesar de partir de um critério subjetivo, a escrita deve ser uma produção sensível, de respeito ao ser humano, à dignidade da pessoa. A prova tem se aprimorado, isso mostra que cada vez mais o aluno deve refletir sobre suas colocações”, finaliza.

 

 

 

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