Após polêmica, MEC volta atrás na decisão de não avaliar alfabetização

O ministro Ricardo Vélez Rodríguez disse não ter sido consultado sobre a mudança e tornou sem efeito a medida

atualizado 26/03/2019 7:55

WILTON JUNIOR/AGENCIA ESTADO

Após polêmica, o Ministério da Educação (MEC) revogou a portaria que deixava de avaliar as crianças de 7 anos, em fase de alfabetização. O documento que tornou a medida sem efeito foi assinado pelo próprio ministro Ricardo Vélez Rodríguez. Ele não teria sido consultado sobre a mudança, que foi noticiada com exclusividade nessa segunda-feira (25/3) pelo Estado.

Um ofício enviado ao Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais (Inep), obtido pelo Estado, mostra o pedido do secretário de Alfabetização, Carlos Nadalin, pedindo a mudança. A razão alegada por ele foi a política nacional de alfabetização que estava sendo discutida no MEC. O texto diz que “a referida avaliação, no atual formato, não corresponde às necessidades da política que será implementada”. Além disso, informa que é preciso rediscutir se as crianças serão avaliadas no 2º ano do fundamental.

Nadalim é considerado do grupo que tem conexões Nadalim é dono de uma escola em Londrina, a Mundo Balão Mágico, e antes de ir para o MEC divulgava vídeos pela internet de como alfabetizar as crianças.

Foi ele também foi quem elaborou a minuta do decreto revelada pelo Estado na semana passada sobre uma política de alfabetização no país. O documento, assim como Nadalim, defende o método fônico, considerado antiguado e limitador por muitos especialistas. A minuta do decreto do MEC também previa que as crianças estejam alfabetizadas até o fim do 1º ano do fundamental.

A decisão do MEC de segunda-feira foi recebida com muitas críticas por secretários de educação e pela comunidade educacional em geral. A alfabetização é considerada o momento mais importante da educação de uma criança. Especialistas enfatizam que um aluno alfabetizado de maneira insuficiente dificilmente terá condição de continuar aprendendo na escola.

Sem avaliação neste ano, perde-se a possibilidade de comparação para saber se as crianças estão melhorando ou piorando. A alfabetização havia sido medida em 2014 e 2016 e deveria voltar só em 2021.

Demissão
Depois do anúncio de que não seria feita a avaliação da alfabetização, a secretária de Educação Básica, Tânia Almeida, anunciou que deixará o Ministério da Educação (MEC). Mesmo sendo a responsável pela área, ela não tinha sido informada sobre a mudança na prova para crianças de 7 anos. Tânia e a equipe mais próxima discordam da medida e deixavam isso claro nas discussões do grupo de trabalho sobre alfabetização no MEC.

Tânia Almeida prepara uma nota para informar sobre a saída. Ela foi diretora em uma Faculdade de Tecnologia (Fatec) do Centro Paula Souza, autarquia do governo paulista. A secretária fazia parte do grupo técnico do MEC, que já teve outras baixas.

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