Eduardo reafirma candidatura em 2026: “Ainda que viesse a perder”
Eduardo Bolsonaro afirmou que pretende concorrer mesmo sem favoritismo, e disse que o governador de São Paulo “não serve” como candidato
atualizado
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Ainda morando nos Estados Unidos, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) voltou a afirmar que pretende disputar a Presidência da República em 2026, “mesmo se for para perder”. A declaração foi dada durante entrevista ao canal Market Makers, no YouTube, nesta quarta-feira (4/11).
O parlamentar disse que, caso o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) siga impedido de concorrer — ele está inelegível até 2030 –, considera legítimo que seja lançado um nome do bolsonarismo para manter a base mobilizada. Ele afirmou não ter conhecimento sobre qual será o candidato escolhido pela oposição.
“Se, por exemplo, eu conseguir uma candidatura, seria, obviamente, uma candidatura competitiva. Várias pesquisas dão conta disso […] Ainda que, de maneira arriscada, apostássemos e eu viesse a perder, nós conseguiríamos ter um êxito de manter acesa a chama do conservadorismo, o eleitor de direita”, afirmou.
Eduardo defendeu o aprofundamento da polarização com o Partido dos Trabalhadores (PT) nas urnas. “Se eu apresento um projeto de país concorrendo em 2026, faço um estardalhaço. Eu vou levar aos quatro cantos do país uma visão diferente da do PT”, disse.
Críticas a Tarcísio
O deputado também reforçou as críticas ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que vem sendo apontado por setores do Centrão como alternativa para liderar a direita em 2026, com apoio do presidente do PP, Ciro Nogueira.
Segundo Eduardo, Tarcísio não representa o núcleo do bolsonarismo, mas sim interesses do mercado financeiro. “Tarcísio sendo eleito é vitória da direita? Não. É visto com bons olhos pela Faria Lima porque ele é conectado à Faria Lima”, afirmou.
Ele completou dizendo que o movimento conservador precisa lançar um candidato com projeto próprio, e não um nome de composição. “Tarcísio, com todo respeito, não me serve”, disse.
“Existem pessoas que não querem o Jair Bolsonaro, mas querem um candidato que minimamente se identifique com a direita. Então passaram a apresentar o Tarcísio de Freitas como sendo esse candidato. No entanto, tenho algumas diferenças com o governador Tarcísio, diferenças de visão política”, pontuou Eduardo.
Nos bastidores, Tarcísio tem dito que prefere tentar a reeleição em São Paulo, mas sua viabilidade nacional segue sendo discutida entre partidos de direita.
Em seu canal no YouTube, Eduardo chamou o governador de “candidato do sistema” ao responder críticas da deputada estadual Ana Campagnolo (PL-SC).
“O Tarcísio é o candidato do sistema. É o cara que o Moraes quer, que gostaria que fosse eleito porque ele ainda viria com apoio de Jair Bolsonaro. O meu pai foi posto numa prisão domiciliar, com tornozeleira, esculachado e sem rede social por conta deste projeto”, disse.
Confira:
Novos ataques após trégua
- Eduardo vinha de um momento de trégua nas críticas ao governador após diversos ataques públicos no auge da crise do tarifaço dos EUA contra o Brasil, quando Tarcísio tentou assumir um papel de negociador com os americanos.
- Como forma de ganhar confiança das franjas mais radicais do bolsonarismo, Tarcísio subiu o tom contra o STF e contra Moraes na manifestação de 7 de setembro na avenida Paulista, quando chamou o ministro de ditador.
- Os novos ataques do filho de Bolsonaro ao governador ocorreram logo após o Metrópoles mostrar que Tarcísio voltou a dialogar com Alexandre de Moraes após as críticas feitas no ato bolsonarista.
- Dias após dizer na manifestação que “ninguém aguenta mais a tirania de um ministro como Moraes”, o governador paulista ligou para o magistrado para justificar a declaração, segundo amigos em comum dos dois.
- O governador, de acordo com relatos, disse que não havia planejado o ataque e que o fez no calor do momento. Tarcísio também indicou que não voltaria a tecer críticas públicas a ministros do Supremo.
Acusações e julgamento no STF
Na entrevista, Eduardo também voltou a atacar o ministro Alexandre de Moraes, relator no Supremo Tribunal Federal (STF) da denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) contra ele por coação no curso do processo.
A Primeira Turma da Corte deve decidir, entre 14 e 25 de novembro, se recebe ou não a denúncia. Caso o colegiado aceite a acusação, o deputado se tornará réu.
O Ministério Público Federal (MPF) aponta que o parlamentar teria tentado pressionar o STF a arquivar uma ação em que seu pai foi condenado. Eduardo nega e classifica o processo como perseguição política.











