Veja quando vale a pena fazer o saque emergencial do FGTS e quando não

Dinheiro liberado pelo governo para auxiliar no combate à crise econômica gerada pelo novo coronavírus começa a ser liberado neste mês

atualizado 19/06/2020 10:16

A Caixa Econômica Federal libera nesta sexta-feira (19/06) a opção para as pessoas informarem que não desejam receber o valor do saque emergencial do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

O serviço estará disponível no internet banking ou no aplicativo do FGTS, onde será possível também consultar o valor do saque e a data em que o recurso será creditado na conta poupança social. A Caixa vai abrir 55 milhões dessas contas.

O pagamento, que tem valor máximo de R$ 1.045 por pessoa, e não por conta, começa a ser realizado no próximo dia 29 de junho para os trabalhadores nascidos em janeiro. O último crédito será realizado em 21 de setembro aos nascidos em dezembro.

Caso a pessoa decida não sacar, o dinheiro vai voltar para a conta do FGTS devidamente corrigido e sem nenhum prejuízo ao trabalhador, segundo a Caixa Econômica. Mas, afinal, quando essa opção é viável?

O coordenador do MBA de gestão financeira da FGV, Ricardo Teixeira, explica que o FGTS está, hoje, entre os investimentos conservadores mais rentáveis. Por isso, ele avalia como interessante a escolha por deixar o dinheiro no fundo caso o trabalhador não esteja precisando.

Atualmente, o FGTS tem um rendimento de 3% ao ano mais a Taxa Referencial (TR), que está hoje em 0%. Desde a gestão de Michel Temer, o governo deposita nas contas dos trabalhadores uma determinada porcentagem do lucro que obtém. Esse valor é dividido proporcionalmente entre as contas, elevando a correção básica do valor deixado depositado.

“Deixar esse dinheiro agora pode ser uma boa aplicação conservadora, inclusive rendendo mais que outras. O fundo vai aumentar bastante, principalmente quando a economia começar a se recuperar”, comenta o especialista – e com isso o lucro a ser dividido tende a ser muito expressivo.

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A aplicação ganha mais destaque, ainda com o novo corte de 0,75 ponto percentual na taxa básica de juros, a taxa Selic, que chegou nessa quarta-feira (17/06) ao menor patamar da história, aos 2,25% ao ano. A poupança, por exemplo, tem rendimento atrelado à Selic.

O educador financeiro Jônatas Bueno, por sua vez, alerta para a oportunidade que o governo dá ao liberar o saque emergencial do FGTS e indica às pessoas avaliar que, mais à frente, podem não ter mais esse dinheiro disponível.

O saque emergencial pode ser solicitado, segundo o presidente da Caixa Econômica, Pedro Guimarães, até o último dia deste ano, ou seja, 31 de dezembro. Após esse período, o valor retorna para o fundo. Em tese, o trabalhador só terá direito em caso de demissão ou aposentadoria, por exemplo.

“Nominalmente, o FGTS é do trabalhador, mas na maior parte fica retido e a pessoa pode não ter acesso a esse dinheiro em outras situações, como em alguma situação de emergência, ausência de renda dela ou da família ou de despesa inesperada, como gastos em saúde”, explica Bueno.

O educador financeiro ressalta ainda a possibilidade de as pessoas usarem o dinheiro para ajudar, ou criar, uma reserva financeira, movimento indispensável sobretudo durante a atual crise do novo coronavírus.

“Para quem já está com a reserva composta, acho que esse valor que vai ser recebido agora, como qualquer outro, como o 13º, férias, restituição do imposto de renda, esse valor deve ajudar a compor a estratégia que já tem”, afirma o especialista.

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