Valor das exportações brasileiras sobe 20,2% no primeiro semestre

Índice é em relação ao mesmo período do ano passado. China importou menos em volume e Argentina se destaca com alta

atualizado 15/07/2022 9:42

Porto de Santos - Navio container Michael Melo/Metrópoles

As exportações brasileiras subiram no primeiro semestre de 2022. Em preços, o país exportou 20,2% a mais que no período de 2021. Em volume, a subida foi mais sutil, variou em 0,2% positivos. Importações também subiram em valores: 33,1%, mas o volume caiu 1,9% no semestre.

Com isso, o saldo da balança comercial brasileira ficou em US$ 34,3 bilhões no primeiro semestre, menor que os US$ 37 bilhões dos primeiros seis meses de 2021. Em junho, o saldo ficou em US$ 8,8 bilhões, queda de US$ 1,6 bilhões frente a junho de 2021.

As exportações caíram 0,6% em volume em junho deste ano.  Os dados são do Indicador de Comércio Exterior (Icomex) da FGV, divulgado nesta seta-feira (15/7).

Exportações

As commodities puxaram em junho 69% do total exportado, mas a exportação delas recuou 6,2% quanto ao volume. Os preços dessas mercadorias subiram 15,9%, e assim as exportações subiram 9,5% em valores, comparando os meses de junho.

No semestre, o peso não foi muito diferente: 68,3% em 2022, mas o volume exportado caiu 3,3% no período frente aos seis primeiros meses do ano anterior.

Já os produtos exportados que não são commodities cresceram em volume e em preço de janeiro a junho. No semestre, os preços subiram 18% e a quantidade exportada, 7,3%. Em junho, a alta da quantidade se acentuou ainda mais, subiu 12% no volume, e os preços subiram 17,2%, na comparação com o mês em 2021.

Importações

Os importados se concentram 89,7% em produtos não commodities, no primeiro semestre de 2022. O valor subiu 27,3% nesse período frente ao semestre em 2021, e 31,2% em junho frente ao mês do ano anterior.

Mas a importação das commodities subiu 72,9% no semestre frente a 2021 e 59,8% em junho. Segundo a FGV, esses resultados se explicam pelo aumento dos preços desses produtos, uma vez que no semestre subiram 66,7% ao passo que o volume importado cresceu 3,1%.

Ao fim de junho, a comparação das importações, somando os dois tipos, chegou ao saldo negativo do volume de 1,9%.

China

O volume exportado do Brasil para os principais parceiros cresceu para todos os mercados, exceto para a China. EUA cresce 5,3%; União Europeia, 10%; Argentina, 12,4%; e outros países da América do Sul, 11,5%. Na China, houve recuo no semestre de 14%.

O caso da China chama atenção. Principal importador do Brasil, o país asiático demonstra, desde agosto de 2020, um movimento persistente de reduções do volume importado, com excessões alguns poucos meses com incrementos que são separados por novas reduções. Desde março, no entanto, a queda foi ininterrupta, apesar de a tendência de redução desacelerar em junho.

O país importa do Brasil, basicamente, commodities: soja, minério de ferro e petróleo. Essas compras somam 79% das exportações para a China. Apenas a Soja cresceu em valor, 18,8%, entre os primeiros semestres de 2021 e 2022. As exportações de petróleo e minério de ferro recuaram nesse período, em 1,3% e 33%, na ordem.

Apesar desse ritmo de queda, o anúncio chinês de novos investimentos em infraestrutura pode impulsionar, segundo a FGV, as compras do país de minério de ferro. Quanto ao petróleo, os especialistas ainda instam que o efeito causado pela guerra russo-ucraniana ainda deve diminuir as compras, frente a outros parceiros.

Argentina

Enquanto a China reduz compras, o vizinhos argentinos se destacam dentre os parceiros nas exportações brasileiras. Com seus 12,4%, os especialistas da FGV analisam que a crise na Argentina não prejudicou o comércio bilateral.

Entre os principais produtos exportados para o país, 22% são do setor automotivo e cresceram, na comparação entre os semestres, em 20,4%. Óleo combustível é outro, com participação de 3,1% e aumento de 1.115% no período.

“O efeito de redução das exportações não pode ser descartado à medida que o crescimento econômico for revertido em função de possíveis medidas associadas à contenção da inflação ou pela crise cambial no país”, pontua o documento.

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