Seu bolso: melhora no salário do brasileiro perdeu fôlego em 2019

De janeiro a outubro, o rendimento médio real recebido pelo trabalhador teve crescimento de 0,3%, taxa menos expressiva que a de 2018

atualizado 29/12/2019 6:19

Michael Melo/Metrópoles

Apesar da equipe econômica do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) defender que a situação financeira do país tem melhorado gradativamente, o rendimento médio real do brasileiro encolheu em 2019.

Segundo estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o salário teve “uma dinâmica bem menos favorável” que a registrada em 2018. A conclusão está no Informe Conjuntural da Economia Brasileira.

No acumulado de janeiro a outubro, o rendimento médio real recebido pelo trabalhador teve crescimento de 0,3%, taxa menos expressiva que a registrada em 2018, quando alcançou 1,7%.

Segundo a CNI, a combinação de dois fatores influenciaram o resultado: o aumento do emprego sem carteira assinada e a baixa geração de vagas mais qualificadas.

No primeiro caso, os salários praticados são mais baixos que aqueles do emprego formal. Para se ter dimensão do impacto, o trabalho informal aumentou a participação na economia brasileira pelo quinto ano consecutivo e atingiu 17,3% do produto interno bruto (PIB), o que representa R$ 1,2 trilhão.

No outro, as vagas ficam ociosas por falta de profissionais capacitados para o preenchimento dos postos.

Apesar do índice pessimista, a ocupação teve crescimento médio de 2,1% no acumulado de janeiro a outubro, ante 1,5% do mesmo recorte de tempo de 2018.

A CNI acredita que nos próximos anos a tendência é de melhora. A entidade estima que o rendimento médio real cresça 1,6% em 2020.

“As expectativas para o mercado de trabalho para 2020 são positivas. A atividade econômica continuará melhorando gradativamente, assim como as condições para um melhor ambiente de negócios“, pontua o documento.

Geração de empregos
Puxado pelo desempenho dos setores de comércio e serviços, o mercado de trabalho brasileiro criou 99.232 empregos com carteira assinada em novembro, de acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgados na tarde desta quinta-feira (19/12/2019) pelo Ministério da Economia.

Esse foi o oitavo mês consecutivo de abertura de vagas formais e o melhor resultado para novembro desde 2010, quando foram abertas 138.247 posto de trabalho.

O saldo de novembro decorre de 1,291 milhão de admissões e 1,192 milhão de demissões. Em novembro do ano passado, houve abertura líquida de 58.664 vagas, na série sem ajustes.

No acumulado de janeiro a novembro de 2019, o saldo do Caged foi positivo em 948.344 vagas, o melhor desempenho para o período desde 2013, quando a abertura de vagas chegou a 1,546 milhão, na série com ajustes.
Em 12 meses até novembro, houve abertura de 605.919 postos de trabalho.

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