Retração da economia brasileira pode chegar a 2,8% em 2015
Com resultados negativos, o Produto Interno Bruto do país deverá chegar ao fundo do poço no ano que vem
atualizado
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O governo anunciou nesta terça-feira (27/10) uma piora na estimativa de retração da economia em 2015. Se antes a previsão de encolhimento era de 2,4%, a expectativa de recuo aumentou em 0,4% e chegou aos 2,8%.
A nova projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) deste ano foi divulgada pelos ministérios da Fazenda e do Planejamento no Cenário Fiscal de Outubro de 2015. O documento detalha a mudança da meta econômica do governo para 2015.A recessão brasileira vai ser tão intensa nos próximos anos que o tamanho do Produto Interno Bruto (PIB) do País só vai voltar ao patamar de 2013 em setembro de 2019. O cálculo é do economista da NeoValue Investimentos Alexandre Cabral. De acordo com ele, o tamanho da economia brasileira em 2013 era de R$ 5,513 trilhões, valor que só será alcançado em setembro de 2019.
Cabral usa como base as projeções do relatório Focus, do Banco Central, para fazer a sua projeção. Segundo o boletim, os analistas esperam uma recessão de 3,02% para este ano, e de 1,43% em 2016. Com esses resultados negativos, o PIB brasileiro deverá chegar ao fundo do poço no ano que vem, quando vai valer R$ 5,277 trilhões. O crescimento, na avaliação dos analistas consultados pelo Focus, só virá a partir de 2017, quando o PIB deverá subir 1%. Para 2018 e 2019, os economistas esperam um avanço de 2%.
Em agosto, a previsão era que a economia iria voltar ao patamar de 2013 em maio de 2018. Com o acirramento da crise política, porém, houve uma forte piora nas projeções para o crescimento – no fim de julho, por exemplo, a expectativa para o PIB de 2015 era de uma recessão de 1,80%, e de um ligeiro crescimento de 0,2% no ano que vem.
Déficit primário
Também nesta terça (27), o governo oficializou que deve fechar o ano com um déficit primário de R$ 51,8 bilhões, sem contar com as chamadas pedaladas fiscais – que não tiveram o valor do rombo divulgado. De acordo com o relator do projeto de lei que altera a meta do superávit do Orçamento da União 2015, deputado Hugo Leal (PROS-RJ), o número equivale a cerca de 0,8% do PIB. A meta já havia sido alterada em julho pelo governo e passou de 1,1% para 0,15% do PIB antes da nova mudança.
O Tribunal de Contas da União (TCU) cobra uma fatura de R$ 40 bilhões em pedaladas, o que elevaria o déficit para quase R$ 100 bilhões, já que o governo estimou um rombo de R$ 60 bilhões para o setor público consolidado se houver a frustração de receitas de R$ 11,1 bilhões com o leilão das outorgas de hidrelétricas.
Com informações do UOL e da Agência Estado.
